Chega a hora do almoço, o momento mais esperado do dia por alguém que ainda terá de ficar em pé até 22h. Se não fosse por esse intervalo, eu e meus colegas atingiríamos a expressiva marca de 14 horas seguidas sem se sentar.
Analiso a verba disponível: R$ 10,00, um verdadeira fortuna, se levarmos em conta os preços praticados pelos bares e lanchonetes da região central da cidade. Quando não trazem comida de casa, vendedores costumam optar, em sua maioria, pelos tradicionais marmitex (aqueles que vêm embalados em folhas de alumínio).
Eu, que não sou um adepto da alimentação saudável, resolvo variar. Troco o bom e velho arroz com feijão pelo fast food popular. Uma lanchonete localizada a algumas quadras da loja oferece uma promoção tentadora: um salgado e um suco de laranja por R$ 2,30. Resolvo pedir duas, lembrando que as grandes emoções são melhores quando vêm em dobro.
Caso eu quisesse economizar, poderia trocar a bebida natural por refresco artificial. O valor total da refeição cairia para R$ 3,80. Se, no lugar do suco, eu tivesse pedido uma tubaína de 600 mililitros, a conta ficaria em R$ 4,00.
Mas lembro que laranja tem vitamina C, que ajuda a evitar resfriados. Com esse tempo chuvoso, melhor não arriscar... Massa é o que não falta nos salgados, tanto que demoro para encontrar o recheio de frango com imitação de catupiry. Para melhorar o sabor da comida, dá-lhe pimenta e maionese.
Em pouco tempo estou satisfeito - estufado, sem ânimo para comer mais nada. No retorno ao batente, passo por um carrinho de lanches e sinto um cheiro de bacon frito. Meu fígado começa a reclamar. Pensando bem, preciso voltar o quanto antes para o arroz com feijão.