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Ano de transição


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Existem anos que marcam o início de uma “nova era”, com profundas transformações capazes de modificar a trajetória de uma nação. Após a grande vitória nas urnas, esperava-se que, neste início do segundo mandado, o presidente Lula promovesse mudanças de paradigmas, apresentasse um Projeto ao País e descartasse radicalmente práticas que mancharam a imagem do seu partido.

Entretanto, 2007 foi um ano de transição, marcado pela oscilação presidencial entre fazer um governo que consolidasse uma nova experiência político-administrativa e buscar concretizar a tentação “continuista”, em que movimentos políticos foram desencadeados na tentativa de criar um clima favorável a esta “aventura”.

Terminamos o ano com esta expectativa rechaçada pela opinião popular e pelas experiências internacionais, haja vista a recente derrota de Chávez na Venezuela. Espero que o presidente, agora, defina-se e procure o caminho da visão de longo prazo, de uma prática republicana.

Não basta o Programa de Aceleração do Desenvolvimento (PAC), uma boa iniciativa, porém pontual e com um resultado gerencial muito aquém do necessário, mesmo amparado por um surpreendente crescimento econômico. Pudemos comemorar indicadores que há muito não alcançávamos, como o aumento de 5,7% do PIB; o incremento de 25% nos postos de trabalho formal, com a contratação de cerca de 2 milhões de trabalhadores com carteira assinada; o aquecimento da atividade industrial e de setores importantes da economia, como o da construção civil.

Porém, alerto para a necessidade de estarmos atentos à excessiva valorização do real e de aumentarmos o grau de investimentos no setor produtivo. Isso significa reavaliar a questão do superávit primário, fortalecer os marcos regulatórios e promover uma profunda reforma estrutural, equacionando a excessiva carga tributária e baixando os juros, no sentido de desencadear uma “verdadeira” política industrial.

Na equação econômica, o momento é de ter coragem para ajustar o modelo econômico e evitar que o atual crescimento tenha um fôlego curto. Essa iniciativa cabe ao Executivo!

Os resultados dos recentes leilões de concessões públicas deveriam estimular o governo a avançar com mais ousadia no processo de desestatização e, finalmente, viabilizar as parcerias Público-Privadas para destravar obras estruturais estratégicas para o nosso desenvolvimento.

Temos pendências que precisam ser enfrentadas já! A reforma política não foi resolvida e sabemos o quanto é necessário uma profunda reforma tributária. O episódio do fim da CPMF deveria ser didático, no sentido do governo compreender que a sociedade não suporta mais a sanha arrecadatória e de que é preciso investir melhor os seus recursos, ao invés de promover uma gastança descontrolada do erário público.

Se este ano foi de transição para o governo, o mesmo aconteceu com os partidos de oposição. Reconheço, e me incluo nesta avaliação, que ainda não conseguimos nos recompor da derrota eleitoral, nem fomos capazes de definir uma linha de atuação. Seja na ação para coibir os métodos, muitas vezes escusos, utilizados na consolidação de uma maioria parlamentar governista; seja na resistência a iniciativas do governo, como a prorrogação da CPMF, em que ficamos no nível da contestação, sem conseguirmos afirmar uma proposta alternativa, que nos credencie, defina um perfil próprio e assim estabeleça uma perspectiva mais clara para a sociedade.

Acredito que em 2008 poderemos encerrar este período de transição e, a partir daí, estimule-se um debate mais plural, profundo e propositivo, em que a definição de um Projeto Nacional unifique a nação em prol de um crescimento sustentável e duradouro.

2008: retomar as reformas.

O autor, Arnaldo Jardim, é deputado federal, vice-líder do PPS na Câmara Federal

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