Bairros

Mato cresce e toma conta de calçadas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Se os buracos nas ruas de Bauru são verdadeiras armadilhas para os motoristas, a falta de cuidados com as calçadas são a grande dor de cabeça dos pedestres. Em vários bairros da cidade, o passeio público foi completamente tomado pelo mato alto, fazendo com que as pessoas tenham que caminhar pelas ruas, sob o risco de serem vítimas de acidentes.

Na quadra 4 da rua Maceió, na Vila Cardia, por exemplo, em alguns pontos o mato na calçada alcança cerca de um metro de altura. Por conta da situação, o pedestre tem de andar pela rua em vez de caminhar pelo espaço reservado a ele. “É um absurdo, um dia alguém pode ser atropelado. Pessoas de mais idade, inclusive, podem tropeçar, cair e quebrar uma perna”, reclama um morador, que não quis se identificar.

No mesmo trecho, a calçada bem mais estreita do que deveria e, para complicar, além do mato, postes e árvores obrigam o pedestre a sair de seu caminho. O problema de calçada com larguras menores que o padrão de 1,2 metro se repete em bairros como Mary Dota e Jardim Redentor.

Até mesmo na região Central da cidade a vegetação cresce sobre o cimento, transformando as calçadas em terreno fértil para a proliferação de animais peçonhentos, como aranhas e escorpiões, que podem picar tanto transeuntes como moradores das casas ao redor.

Este é o caso do representante comercial Irineu Petinuci, de 63 anos, morador da quadra 1 da rua Paes Leme. Em frente à sua residência, onde há um depósito de laticínios, a calçada não recebe manutenção há pelo menos cinco anos.

“Ninguém toma conhecimento desse mato e agora o pessoal começou a jogar tábuas velhas, caixas de papel, lixo e mato que foi cortado dos quintais”, comenta. Com o volume de entulho crescendo a cada dia, Petinuci afirma que o aparecimento de aranhas e ratazanas tem aumentado consideravelmente. “Tudo por causa desse abandono”, argumenta.

Na quadra 3 da rua Edmundo Antunes, no Jardim Panorama, o mato cresceu tanto que escondeu até um gato morto. Ali, o comerciante Domingos Sábio Vieira, de 44 anos, reclama das baratas e do mau cheiro causado pelo lixo que é jogado pelos próprios moradores do bairro. “As pessoas estão mal acostumadas. Como tem mato na calçada, fica aquela aparência de descuido e elas acabam jogando mais sujeira ainda”, afirma.

Considerada uma área nobre da cidade, o Jardim Panorama está repleto de calçadas que estão perdendo espaço para o matagal. “Acho que o morador têm de cuidar mais da frente da sua casa. Pessoas que tem problema de locomoção, como aquelas que andam em cadeiras de roda, não conseguem passar por aqui”, destaca.

Responsabilidade

De acordo com o titular da Secretaria do Meio Ambiente (Semma), Rodrigo Agostinho, manter a calçada transitável é responsabilidade do morador. Ele explicou é responsabilidade da prefeitura apenas a limpeza de guias e sarjetas, serviço realizado hoje pela Emdurb. “Apesar de fazermos uma grande quantidade de serviços de capinação, ainda é muito pouco em relação à real necessidade. A demanda da cidade é muito grande”, admite.

O secretário esclarece que a fiscalização de irregularidades é realizada pela Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), que notifica e, se necessário, multa os proprietários de imóveis cujas calçadas não apresentem condições de trânsito.

Já as calçadas estreitas, na avaliação de Agostinho, são reflexo da antiga política de urbanização. “Na maioria das vezes, esse tipo de problema ocorre em lotes antigos, que podem ter avançado as construções para aumentar o tamanho do terreno”, explica, ressaltando que calçadas com larguras fora do padrão impedem a acessibilidade de cadeirantes e a arborização urbana. “Mas, infelizmente, em uma situação dessa, já não há muito a fazer porque a fachada dos imóveis teria de ser desapropriada e demolida. Seria um processo altamente custoso”, diz.

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