Tribuna do Leitor

Ano novo! Vida nova?


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Antes do Natal comercializado e o esquecimento do Aniversariante e já preocupado com o ano de 2008, saí por aí a procurar respostas para um ano novo desejado e feliz.

Perguntei ao catador de papel: o que precisamos para uma nova vida no ano novo?

- Num tá fácil escolhê, meu! Faiz tempão que tô catando latinhas, jornais, papelão, fuçando tudo quanto é lixo; me virando pra num faltá pão prus meus guris; são cinco e num tem escola pra todos lá na vila. Bem que eu gostava de vê, pelo menos um, como professor pra num sê catadô de papel qui nem o pai. Vivo trabalhando pra acontecê. Será que vai dá?

Perguntei ao professor: o que é preciso para uma nova vida no novo ano?

-Milagre! O futuro de um povo é a providência da sua cultura. A qualidade do ensino fundamental e médio é péssima. Falta o reconhecimento ao educador, ao seu valor e à sua pertinácia. O professor ensina porque acredita no desenvolvimento do ser humano para o lado do bem na vida. É um abnegado! Dói, ver um país abençoado como o Brasil, ter, como governantes, homens ignorando que a escola “é um edifício com quatro paredes e o amanhã dentro dele!”; que vivem somente para projetos que lhes rendam dividendos políticos e financeiros.

Nenhum ano será bom com a educação básica jogada no lixo. Nenhum ano será bom se o desapreço político, a demagogice e a sem-vergonhice continuarem prevalecendo. As escolas, em geral, com algumas possíveis exceções, reclamam uma reciclagem para que alcancem melhores resultados.Principalmente na leitura, o começo do crescimento do aluno.Infelizmente nem todas as crianças e até adolescentes, sabem ler o diploma que recebem.

Perguntei ao trabalhador: o que precisamos para uma vida nova no ano novo?

-Vergonha na cara! Bater o cartão do ponto com a certeza do dever cumprido! Ser honesto, não o ladrão de si mesmo, da sua honra e da família. Orientar os filhos para que prestem atenção às aulas; que respeitem os professores; incentivá-los à leitura; que só lendo e estudando é que conquistarão seus espaços, seus sonhos. Que o futuro lhes pertence e façam por merecê-lo. Outra coisa muito importante! Escolher pessoas honestas para governar e não como essas merdas que esculhambaram a dignidade do país com tanta vergonheira e corrupção. Pra melhorar no novo ano, já disse, basta ter vergonha na cara, amar a família, os amigos e o país. Ser honesto e respeitar todo mundo. Nada demais!

Perguntei à mulher: para uma vida nova no novo ano, o que precisamos?

-Logo de manhã, alimento meus filhos rendendo graças a Deus; oramos pela nova manhã e pelo pão que Ele nos concede. Precisamos ter mais lucidez nos nossos votos. Menos desejos materiais. Mais solidariedade. Menos politicagem e mais objetividade na busca do bem comum. Vivemos em conflito numa sociedade cheia de maldade. Egoísta. De aproveitadores buscando riquezas por caminhos obscuros. Rompemos o elo que ligava as pessoas. Até vizinhos de paredes não se cumprimentam! É preciso recuperar a família, a amizade e a confiança! Para vida nova no ano novo, desejar bom-dia, boa-tarde e boa-noite a todos que nos rodeiam. Amar e re-amar! Por que complicar mais?

Sem perguntar o seu time, perguntei ao torcedor de futebol: o que acha bom para o ano novo?

-Que se dane! Só quero ver o meu time campeão!

Indaguei à mãe: o que a senhora deseja ou espera para melhorar no ano novo?

-Que os filhos não sejam vitimas das drogas e da violência nos seus diferentes fantasmas.

Perguntei ao filho: o que é preciso para a vida crescer no ano novo?

Mordeu os lábios, moveu a cabeça para os lados, sorriu o vazio da incerteza, deu-me uma piscadela irônica e com o dedo indicador da mão direita, braço tatuado, apontou duas vezes para o céu.

Perguntei a Deus: Senhor! O que é preciso fazer para a vida ser melhor no ano novo?

O silêncio me calou. Ventos sopraram nuvens escondendo o sol.

Será que o homem-bomba explodiu o sol e apagou o céu que o jovem apontou?

-Tio, me dá uma moedinha aí?

Sete aninhos.Verde amarelou, acelerei para lugar nenhum.

Sonhei homens desfilando na passarela da insensatez e obsessiva do egoísmo.

Nós dois estávamos lá...

Ano Novo! A esperança está aguardando lá fora...

Munir Zalaf - poeta-escritor - RG 2.726.959

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