Tribuna do Leitor

Ainda o "ócio produtivo"


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Nas minhas férias deste final de 2007 e princípio de 2008 não fui viajar, portanto me senti um tanto ocioso. Para transformar esta ociosidade em produtividade intelectual resolvi colocar em dia as minhas leituras: “Fortaleza Digital”, de Dan Brown, e “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras”, de Jô Soares. Na obra, que retrata o Rio de Janeiro dos anos 20, misturando realidade, ficção e uma pitada de humor, o “serial killer” é um evenenador-alquimista pertencente a uma seita européia que vem da linhagem dos antigos “Cavaleiros Templários”.

Quando se repercutiu a questão do “Ócio Produtivo”, eu não conhecia a obra do sociólogo italiano Domenico de Masi. Mesmo assim, me indignei com os comentários jocosos de algumas pessoas que também desconheciam o assunto e aproveitaram para tirar alguns dividendos políticos com as piadinhas.

Por coincidência, na última quarta-feira à noite, “zapeando” o controle remoto, vi o citado sociólogo sendo entrevistado na TV Cultura. Na entrevista, concedida ao jornalista Roberto D'Ávila, Domenico de Masi mostrou uma incrível visão de mundo. Tanto que abordou com propriedade questões de geopolítica e economia mundial e citou particularidades interessantes sobre China, Índia e Brasil, países que considera os mais importantes do mundo entre os emergentes. E, lógico, defendeu o “ócio produtivo”.

E, nesta quinta-feira, lendo a Tribuna do Leitor , do JC, vi o artigo do meu querido amigo Henrique Perazzi de Aquino, que faz uma alusão ao “ócio produtivo” e aproveita para rechaçar críticas que ele considerou “malévolas” contra o prefeito Tuga Angerami.

Eu concordo com o Henrique quando ele sugere que a leitura é um santo remédio, que desperta nas pessoas o poder de discernimento, de fuga do “lugar comum” e bom senso naqueles que, às vezes, fazem a crítica pela crítica. E o “de Masi”, neste aspecto, é uma boa pedida.

Ademir Elias - jornalista

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