A aventura infanto-juvenil de explorar galerias de água da chuva pode terminar em tragédia. Os meninos enfrentam vários riscos, alerta o coordenador adjunto da Defesa Civil do Estado da 7ª Região, Álvaro de Brito.
Entre os perigos está a possibilidade de se depararem com gás metano, resultante da decomposição de lixo, e animais mortos. “Ele (gás) bloqueia o sistema nervoso”, comenta Brito. Neste caso, mesmo querendo, os garotos não conseguiriam se locomover, nem pedir ajuda.
Também podem se deparar com marimbondos, escorpiões ou aranhas. A própria tubulação é outro fator de risco. Dependendo do porte, um menino pode ficar preso, entalado nos seus anéis. “Se gritar, a chances de alguém ouvir são mínimas. Tem também os riscos de contaminação, tem muito material infectante. Agora, se chover quando eles estivessem lá, pode ser fatal. Neste caso, dificilmente conseguiriam sair, a não ser que esteja muito próximo à saída”, comenta o coordenador adjunto da Defesa Civil.
Segundo Brito, com chuva, quem está dentro da galeria pode morrer afogado. Se for levado pelas águas, pode ainda sofrer vários ferimentos. “Vai se batendo, arranhando. Quando entra um objeto lá (na galeria), sai corroído. Até pneu sai deformado. Em dia quente também pode ser sufocante. Corre o risco de sofrer asfixia. Para entrar tem que ter um mapa, conhecer bem o local e levar oxigênio”, conclui.
Ele lembra que há 15 anos uma criança caiu num bueiro e morreu, no Jardim das Perdizes. Uma outra ocorrência foi registrada no Jardim Nova Paulista. Num dia de chuva, outra criança caiu numa boca-de-lobo, foi arrastada até uma erosão, onde foi resgatada.
Apesar dos relatos, a Secretaria Municipal de Obras não possui estatísticas sobre presença de pessoas em galerias de águas pluviais, mas desaconselha a prática, já que a finalidade da estrutura é somente escoar a água da chuva, informa a assessoria de imprensa. De acordo com o órgão de comunicação, os bueiros contam com tampa na parte superior.
O espaço que não é fechado tem a finalidade de permitir o escoamento da água. A Secretaria Municipal de Obras ressalta ainda que as pessoas não devem ingressar nos bueiros ou bocas-de-lobo em hipótese alguma.
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Susto
Não foi por brincadeira, mas Rafael Carlos também conheceu uma tubulação de águas pluviais de perto. Ele sofreu um acidente em Agudos há oito anos, mas saiu com vida.
Num dia de chuva, caminhava com um amigo próximo de casa, quando caiu num bueiro. “Eu escorreguei. Rodei por uns 200 metros. Fui batendo o joelho, não vi nada”, lembra. De repente, caiu num rio e conseguiu se agarrar numa pequena árvore às margens.
Como o amigo acompanhou o acidente, pediu socorro e Rafael foi resgatado.