Polícia

Depoimentos de PMs avançam a noite

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Civil iniciou na manhã de ontem a tomada de depoimentos dos seis policiais militares envolvidos na morte do adolescente Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, ocorrida no último dia dia 15 de dezembro, no Núcleo Mary Dota, em Bauru. Eles estão presos há 18 dias no Presídio Militar Romão Gomes, na Capital, e foram ouvidos na unidade prisional pelo delegado Marcelo Haddad, que preside o inquérito que investiga as circunstâncias da tortura e morte do jovem que era suspeito de ter cometido um roubo. Às 21h, teve início o depoimento do último policial do grupo.

Os policiais já prestaram depoimentos para a Justiça Militar, que concluiu inquérito e acusa os seis por homicídio. O relatório deste inquérito foi enviado para Justiça comum.

A deputada federal Janete Rocha Pietá (PT-SP), membro da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados, acompanhou os depoimentos dos policiais. Durante o dia prestaram depoimentos o tenente Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, 31 anos, o cabo Gerson Gonzaga da Silva, 42 anos, e o soldado Ricardo Ottaviani, 34 anos.

De acordo com a assessoria de imprensa da deputada, os soldados Maurício Augusto Delasta, 33 anos, Juliano Arcangelo Bonini, 34 anos, e Emerson Ferreira, 35 anos, foram ouvidos no início da noite de ontem. O último depoimento estava previsto para se encerrar após as 22h.

O Jornal da Cidade tentou conversar com a deputada, mas até a conclusão da reportagem ela ainda estava no presídio Romão Gomes acompanhando o trabalho policial. Pietá foi nomeada relatora da Comissão de Direitos Humanos e Minorias durante a visita que fez a Bauru no último dia 22 de dezembro. No sábado passado ela finalizou o relatório sobre a morte de Rodrigues Júnior. O documento foi entregue ao presidente da comissão, deputado Luiz Couto (PT-PB), na segunda-feira.

Defesa

O advogado José Roberto Spoldari, que faz a defesa do tenente Roger e do soldado Émerson, informou à reportagem que um funcionário do escritório onde trabalha em São Paulo estava acompanhando os depoimentos no presídio Romão Gomes. Ele afirmou que seus clientes estão tranqüilos pela certeza da inocência, mas consternados pela prisão.

“O tenente fez o que foi possível no momento. Prendeu os responsáveis e entregou as provas ao comando. Ele comunicou tudo a seus superiores”, informa o advogado. Ele afirma que o soldado Émerson nem chegou a entrar na casa, pois ficou fazendo a guarda das viaturas.

Sobre os depoimentos, Spoldari afirma que orientou seus clientes a colaborar com a Polícia Civil. “Orientamos a falar somente a verdade, abrir o jogo”, ressalta. O advogado também destacou a condução das investigações feitas pela Delegacia Seccional de Bauru.

Os advogados que defendem o cabo Gerson Gonzaga da Silva, 42 anos, e soldados Ricardo Ottaviani, 34 anos, Maurício Augusto Delasta, 33 anos, e Juliano Arcangelo Bonini, 34 anos, não foram encontrados pelo Jornal da Cidade para falar sobre os depoimentos.

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