Organização - essa pode ser a chave para o trabalhador minimizar as conseqüências negativas da falta de tempo. “Temos de planejar nossa vida social para compensar o estresse do dia-a-dia. Do contrário, corremos o risco de perder nossos referenciais”, alerta o especialista bauruense em medicina do trabalho Divaldo Bernardes da Silva.
Isso foi o que fez o supervisor de compras Roberto Ribeiro. Além de cumprir uma jornada diária de oito horas de trabalho, ele ainda cursa pós-graduação em gestão integrada. Nos dias de semana, ele costuma dedicar os momentos em que não está trabalhando para estudar.
Nos finais de semana, porém, ele se desliga do mundo. “Costumo reservar pelo menos uma dia no mês para meu lazer. Nessas ocasiões, pego minha família e vou para a beira do rio pescar. Nem celular eu atendo”, diz.
Não são todos, porém, que contam com essa sorte. O vendedor ambulante Maurílio Raimundo, 68 anos, precisa trabalhar de domingo a domingo para se sustentar. “Tem semanas em que chego a ficar com os pés inchados de tanto andar”, reclama. Quase nunca tira férias. “De vez em quando, eu até resolvo reservar alguns dias para descasar. Só que aí eu fico sem ganhar dinheiro”, reflete.