Geral

Organização é a chave contra dívida

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Não existem fórmulas mágicas para se livrar das dívidas de começo do ano, garantem os especialistas. “A única solução é organização. Por exemplo: todo mundo sabe que, em janeiro, vencem os impostos predial e territorial urbano (IPTU) e sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA), mas pouca gente reserva o 13.º salário para pagar tais tributos. Em vez disso, as pessoas preferem gastar todo o dinheiro extra que recebem em dezembro com presentes e festas e acabam ficando sem condições de honrar os compromissos que assumiram”, avalia o economista Carlos Sette.

Pessoas que se prepararam para janeiro terão condições de obter descontos quando forem pagar as contas. Foi o que ocorreu com a dona de casa Ana Lúcia de Andrade Volpe, 42 anos. Ela não gastou o 13.º salário do marido em dezembro - preferiu guardá-lo - e agora poderá quitar à vista o IPVA, aproveitando, dessa forma, o desconto de 3% oferecido pelo governo do Estado.

A comerciante bauruense Sônia Fumiko Otofuji, que não recebe 13.º salário, costuma deixar dinheiro reservado para as despesas de começo de ano. Ela pretende quitar IPTU à vista e pagar o IPVA de maneira parcelada. “Se não nos prevenirmos para janeiro, corremos o risco de terminar o ano no aperto”, pensa ela.

De acordo com a economista Márcia Elaine da Silva Almeida, o ideal seria que as demais pessoas começassem a se mirar nos exemplos de Volpe e Otofuji. “Se reservarmos uma pequena quantia, todos os meses, chegaremos em janeiro com dinheiro suficiente para cobrir todas as nossas despesas”, pensa.

Economistas também alertam que as famílias devem aprender a evitar gastos desenfreados, principalmente nos primeiros meses do ano, quando se encontram com grande parte da renda comprometida com impostos, taxas de matrícula, listas de material escolar e dívidas adquiridas em dezembro.

“Hoje, muita gente adota um padrão de vida que não é compatível com o salário que recebe. Parece que os consumidores se deixam levar muito mais pelo lado emocional do que pelo racional na hora da compra. Adquirem produtos supérfluos e depois não são capazes de pagá-los”, avalia o economista bauruense Reinaldo Cafeo.

Tanto ele quanto Sette recomendam cortes no orçamento como forma de deter o avanço das dívidas. “Ninguém pode gastar mais do que ganha - isso vale tanto para as pessoas quanto para os países”, diz Sette.

“É possível eliminar gastos sem sacrificar nossa qualidade de vida. Temos que nos conscientizar de que o ato de se desfazer de um objeto supérfluo é menos prejudicial do que você passar noites em claro por conta de uma dívida impagável”, pondera Cafeo.

____________________

Colégios

Consumidores devem estar atentos, também, aos valores de mensalidades cobrados pelos colégios particulares, alertam os economistas. “Sempre que houver algum reajuste, os pais têm o direito de exigir que a escola apresente uma planilha anual de custos que justifique os aumentos”, explica o economista bauruense Reinaldo Cafeo.

A professora do curso de administração da Faculdade de Agudos (Faag) Márcia Elaine da Silva Almeida lembra que negociação é essencial na hora de acertar os valores da mensalidade escolar. “Os pais precisam lembrar que os colégios necessitam de alunos para continuar funcionando”, aconselha.

Foi dessa forma que a dona de casa Ana Lúcia de Andrade Volpe, 42 anos, conseguiu reduzir significativamente os gastos com a escola do filho de 5 anos de idade. “O colégio sempre está disposto a negociar, pois não está a fim de perder alunos”, diz. Atualmente, ela paga R$ 260,00 de mensalidade para uma escola situada na zona sul da cidade.

Comentários

Comentários