Bairros

Obrigação torna espera mais demorada

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

A operadora de telemarketing Renata Alves, 33 anos, vai ao banco pagar as contas a cada 15 dias e todas as vezes precisa esperar na fila.

“Já me acostumei”, diz ela, mas nem por isso aceita a situação numa boa. “Toda vez que isso acontece, fica uma sensação de perda de tempo. Ao invés de ficar na fila, eu poderia estar fazendo outras coisas”, reclama.

No entanto, essa sensação de perda de tempo não é relatada por Renata quando ela precisa enfrentar fila no cinema ou para qualquer outro programa cultural.

“O sentimento é outro porque você está lá para se divertir. É diferente de estar na fila de um banco, onde você vai por obrigação”, compara.

Segundo o psicólogo Thiago Cury Machado, 27 anos, essa é a psicologia da fila. O sentimento varia de acordo com a finalidade da espera. E isso interfere no humor das pessoas.

Por isso é mais fácil fazer amigos numa fila de cinema, restaurante, estádio de futebol do que numa fila de banco, da prefeitura ou da Previdência Social.

Claudinei Santini, 36 anos, é um dos muitos que enfrentam filas de uma a duas horas de duração todos os meses para poder receber os benefícios da Previdência. Ele quebrou o pé em outubro e teve de se afastar do serviço de lavador de vidros.

O pé direito deverá permanecer engessado até fevereiro. Até lá, depende do auxílio-doença para poder pagar as contas da família.

Para receber o dinheiro, Claudinei precisa de muita paciência. Segundo ele, o tempo de espera na fila do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) varia de uma a duas horas. O desgaste só não é maior porque as pessoas aguardam o atendimento sentadas. A ordem de chamada é estabelecida mediante senha.

Para o psicólogo Fabio Iglesias, autor do estudo sobre o comportamento das pessoas nas filas, esse tipo de atendimento, com uso de senha, ameniza a ansiedade de quem espera. “Nesse caso, dá para a pessoa sair para tomar um café. O usuário está liberado até chegar a vez dele”, justifica.

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