Uma das filas mais criticadas pela população é a fila dos bancos. Mesmo com a proliferação dos caixas eletrônicos, ainda existem serviços que são realizados somente pelo caixa com operador. Quando isso ocorre, além da limitação de horário (o serviço só pode ser efetuado durante o expediente bancário), é quase inevitável ter de enfrentar fila.
O universitário Alessandro Bianchi, 26 anos, viu-se diante dessa situação há cerca de um mês. Para transferir uma quantia relativamente alta da conta dele para a conta de uma outra pessoa, teve de ir até a “boca do caixa”. Por causa do valor, a transferência não podia ser feita em um caixa eletrônico. Ele até concorda com a medida, por achar que protege o cliente contra assaltantes, mas ficou espantado com, segundo ele, a “falta de respeito” do banco com os clientes que estavam na fila.
Ele lembra que em pleno horário de almoço, quando muitas pessoas aproveitam o intervalo no trabalho para ir ao banco, só existiam dois caixas para atender o público, sendo que um desses caixas atendia os clientes preferenciais (idosos, gestantes, mães com crianças no colo, etc). “Na maior parte do tempo, só tinha um caixa atendendo quem estava na fila”, comenta.
Os clientes começaram a ficar impacientes com a demora no atendimento e alguns desistiram de esperar, indo embora porque tinham horário para voltar ao trabalho. Na opinião do universitário, esse tipo de situação é uma “afronta” aos clientes, já que praticamente todos os bancos têm registrado grandes lucros nos últimos anos.
“Para o banco, colocar mais dois ou três funcionários para atender no caixa não vai fazer diferença nenhuma nos gastos porque eles estão batendo recordes seguidos de lucros”, argumenta o cliente.
Segundo um bancário ouvido pelo Jornal da Cidade e que pediu para não ter o nome divulgado, a reclamação dos clientes que estão na fila incomoda quem está trabalhando no caixa. Isso faz com que os funcionários se sintam pressionados e tentem atender o mais rápido possível. “É uma agonia você ver a fila crescendo e ter poucos funcionários para atender os clientes”, relata.
O entrevistado do JC trabalhou durante 23 anos no atendimento ao público. Ele conta que uma colega não tomava água durante o expediente para não precisar ir ao banheiro. Desta forma, ela tinha mais tempo para atender os clientes. Como conseqüência, a funcionária “ganhou” uma infecção urinária e foi parar no hospital.
Segundo nosso entrevistado, outros funcionários comem em pé para poder voltar ao trabalho o mais rápido possível. “Apesar disso tudo, estamos sempre ouvindo reclamações. Muitos nos culpam pela demora e fica essa briga entre cliente e funcionários, quando, na verdade, somos todos vítimas”, lamenta.
Ele lembra que, apesar da lei municipal que obriga as agências a atenderem seus clientes em, no máximo, 15 minutos em dias normais e em 30 minutos nas vésperas de feriados, os bancos continuam demitindo. Quando são multados por descumprimento da lei, eles recorrem e o caso vai parar na Justiça.
De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru, a Secretaria de Planejamento (Seplan) emitiu, no ano passado, 15 autos de constatação contra agências bancárias por não respeitarem o limite estabelecido. Em três casos, a demora não foi solucionada e foram aplicadas multas, cujos valores não chegaram a ser recolhidos pelos bancos.
O valor da multa é de 9.397,61 Ufirs, o equivalente a R$ 18.766,08. Em caso de reincidência, a multa sobe para 46.988 Ufirs, o equivalente a R$ 93.830,33. Segundo a assessoria, das três multas aplicadas este ano, uma foi para agência reincidente.
“Quando a lei surgiu, nós já sabíamos que não haveria contratação, porque os bancos já estavam se movimentando para jogar sobre os funcionários a responsabilidade de atender os clientes no prazo de 15 minutos”, revela o bancário.