Quando o limite do aceitável esbarra no inaceitável há um conflito. Mas a insistência pode gerar novas margens e reorganizar esse limite, ampliando-o. Sempre condenando o uso de chavões em textos, permito-me utilizar o famoso: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Ele explica suscintamente o que pretendo dizer: a repetição diária de qualquer coisa acaba por vencer a resistência.
Diariamente ouço que o mundo não tem solução, que antigamente era menos perverso e maldoso que hoje. Será? Não vejo dessa forma. Mas a repetição dessa idéia denota a idéia de que é verdade.
Mas vejamos... Se há corrupção é porque, muitas vezes, deixa-se de lado a ética humana. Sempre querendo tirar proveito de alguém, há aqueles que se permitem parar em vaga de deficientes quando na verdade não o são, outros cortam filas na ânsia de economizar tempo e por aí vai. Mas é recorrente a idéia de que a culpa é dos outros e não nossa.
Se no capitalismo cada um olha para seu umbigo e visa o lucro, por que as pessoas não se tornam capitalistas da ética? Basta observar o próprio umbigo e analisar as ações diárias. Há muitos momentos em que se pode notar a infração de alguma regra ética. Não observar isso e corrigir esse desvio é hipocrisia.
Mas há os que preferem repetir o refrão de que se o mundo não muda é culpa dos outros e de que há forças maiores que impedem a mudança. Não sabem olhar para si e ver que o problema não é do mundo, mas sim deles próprios. Além disso, inserem na sociedade a semente da sociopatia.
A demagogia, o falso moralismo e a mentira estão enraizados nesses seres que não sabem valorizar as relações humanas. Para eles, o poder e o prazer estão acima de tudo. Pouco importa que, por detrás de sua demagogia, existem aqueles que sofrem as mazelas humanas. O que vale é tirar proveito de tudo o que se faz.
E nessa história toda não se consegue mudanças. Há sempre uma repetição chata e mesquinha de que tudo é culpa do sistema - que, muitas vezes, tem sua parcela de culpa, mas não é necessariamente a maior parcela. O problema central de tudo isso é a hipocrisia, que nada muda e nada faz em prol da comunidade. Isso é triste e desmotivador.
Juliano Schiavo - estudante de jornalismo