Politicando

Onde estamos, Nersão?


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Filiado ao recém- fundado PSDB de Gália, me candidatei ao cargo de vice-prefeito nas eleições de 1988, tendo como cabeça de chapa um candidato do PT. Com dificuldades em conseguir o número suficiente de candidatos a vereador para completar a legenda, acabei por convencer o “Nersão Bigode”, motorista de minha empresa fabricante de bebidas, para inscrever-se como candidato a vereador. Ele havia mudado recentemente para Gália e era oriundo da vizinha cidade de Garça.

Preocupado com um comício que faríamos em um sábado, chamei o Nersão ao escritório e intimei-o a arrebanhar o máximo de eleitores para tal comício. Nersão, sempre prestativo, retrucou: - Me dê dois garrafões de pinga, uns litros de batidas, o caminhão e fique tranqüilo! No sábado eu loto a praça do comício!

No dia do comício, já discursavam os primeiros candidatos, e eis que de repente surge o Nersão com o caminhão lotado de gente, com bumbos e demais apetrechos de batucada. Animado com aquilo tudo, comecei a discursar: “Como todos já sabem, meu nome é Afrânio e sou candidato a vice-prefeito do....” Foi quando tomei a maior vaia da minha vida! Os arrebanhados do Nersão, além de vaiar, gritavam: Julinho! Julinho! Julinho!

Desço do palanque e vou até o Nersão pedindo-lhe explicações. Foi quando descobri que ele havia trazido aquele pessoal todo da vizinha cidade de Garça, sendo todos cabos eleitorais do candidato a prefeito Júlio Marcondes de Moura, daquela cidade. A dosagem etílica da “turma do Nersão” não permitia que eles discernissem que não estariam mais em Garça e sim em Gália.

Com todos os méritos, acabamos por perder aquelas eleições. E o Nersão? Bem, o Nersão teve somente um voto, o dele...

Enviada por José Afrânio Scaramucci – Gália/SP

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