Eles estão de volta para o desespero de muitos moradores de Bauru. São os caramujos africanos, que há anos infestam a cidade na temporada de chuva. O animal resiste a longos períodos de seca e, após chuvas prolongadas, saem da terra e pode transmitir doenças aos seres humanos (veja quadro ao lado).
Em algumas regiões da cidade, o caramujo africano pode ser encontrado em grande quantidade. É o caso de um terreno baldio na quadra 8 da avenida Waldemar Guimarães Ferreira, na Vila Industrial, conforme relataram dois moradores ao JC. “Moro aqui no bairro há 22 anos e todo ano vejo os caramujos, principalmente quando chove”, comenta o pedreiro Geraldo dos Santos Souza, 55 anos.
Para ele, os atrativos do terreno para os caramujos são o mato alto e a grande quantidade de entulhos depositada no local. Outro morador daquela quadra, que preferiu não se identificar, também relatou ao JC que tem visto muitos animais no terreno baldio e também na calçada.
Carlos Eduardo de Souza, morador do Parque Vista Alegre, já voltou a adotar as medidas de anos anteriores para evitar que o molusco invada sua casa. “Como tem muitos no terreno ao lado, preciso tapar as frestas da porta com tapete. No quintal e no jardim, não tem jeito: eles estão por toda parte com aquela gosma horrível. É nojento”, relata.
Os caramujos gostam de locais úmidos e sombreados, como os cantos dos muros, as paredes onde não bate muita luz e os lugares em que possa haver acúmulo de galhos, restos de poda, folhas, madeiras e outros materiais. Segundo a diretora do Departamento Zoobotânico da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Mariela Chaves de Cerqueira Julião, neste mês o órgão registrou duas reclamações da presença do molusco. Ela acredita que as queixas vão aumentar até o mês que vem à medida que chover mais.
Riscos e prejuízos
Segundo Mariela Julião, os caramujos podem trazer problemas à saúde pública, à agricultura e ao meio ambiente. No primeiro caso, o animal pode hospedar dois vermes que causam meningite e infecção ambiental. Contudo, a diretora do Departamento Zoobotânico afirma que na América do Sul não há casos da doença transmitida pelo molusco.
Quanto à agricultura, o caramujo causa prejuízo porque se alimenta de hortaliças. Ela comenta que no final de 2006 o molusco foi encontrado pela primeira vez na área rural de Bauru – no distrito de Tibiriçá.
No que diz respeito ao meio ambiente, o caramujo africano compete com outros caramujos da fauna brasileira, com risco de se disseminar pelos diversos biomas brasileiros, como florestas, cerrados, pantanal, e campos, causando impactos imprevisíveis.
Julião explica que a população deve colaborar no controle do animal. A orientação é que as pessoas coletem os caramujos num saco plástico. O passo seguinte é colocá-los para serem recolhidos pelo serviço de coleta de lixo e levados para o aterro sanitário.