Aviso aos estudantes: o aluno da rede estadual de ensino que for pego falando ao celular durante as aulas poderá ser punido até com suspensão. Na edição de anteontem do Diário Oficial do Estado está publicado decreto do governador José Serra (PSDB) regulamentando a proibição dos aparelhos telefônicos celulares durante as aulas na rede estadual de ensino. Para Vera Nilce Jarussi, dirigente regional de ensino, como o uso está proibido, quem for pego infringindo a determinação do governo poderá ser suspenso na escola.
A proibição de uso do telefone celular em sala de aula tem o objetivo de garantir a atenção do aluno. Para assegurar o cumprimento da determinação, Jarussi informa que irá divulgar a todas as unidades escolares o decreto do governo. “Também pedirei que seja afixado em murais, para que os alunos tomem conhecimento”, explica. As aulas da rede estadual, que em Bauru atende cerca de 50 mil alunos, começam no dia 18 de fevereiro.
Para Jarussi, o celular pode ser levado para a escola, desde que não seja utilizado nas aulas. “O que não pode é tirar a atenção”, define. E como é uma proibição, quem for pego papeando no celular durante a aula, deverá ser punido. “Se usar, é falta grave. Passível de suspensão, conversa com os pais”, explica.
Porém, o decreto do governador se limitou às escolas da rede estadual, o que deixou o deputado Orlando Morando (PSDB) descontente. “O decreto está equivocado. Não souberam interpretar a lei, que fala estabelecimentos de ensino em todo o Estado, público ou privado”, enfatiza.
Para ele, o decreto, que teria sido elaborado pela Secretaria de Estado da Educação, é discriminatório. “Na minha opinião, o Estado está prevaricando por não incluir o ensino privado. E pior, distingüe entre ricos e pobres”, critica. Para tentar corrigir o problema, Morando afirma que irá entrar na Justiça para incluir as unidades de ensino particular. “Sabemos que não há resistência por parte das particulares. Em algumas, a proibição do celular em sala de aula é cláusula contratual”, ressalta.
Gérson Trevisani, diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), destaca que na rede particular o assunto não é problema. “Na maioria das unidades privadas não é permitido o uso do celular durante as aulas”, informa.