Uma moradora da rua Vicente Bertocchi, que pediu para não ser identificada, é favorável à instalação de uma sirene que alerte os moradores quando ocorram problemas, principalmente fugas, na Cadeia Pública de Botucatu. Existe uma proposta entre os moradores da rua para instalar uma sirene antifuga que evite que os moradores virem reféns. Ao mesmo tempo, eles avisariam familiares ou visitas para que evitassem a região do bairro Alto devido ao risco dos fugitivos à solta na ruas. “Acho uma ótima idéia a sirene”, avalia.
A senhora reside há 22 anos na rua, que fica a três quadras da cadeia – cerca de 200 metros. Ela não guarda boas recordações do dia 14 de maio de 2007, quando ocorreu a maior fuga da carceragem. De acordo com a moradora, os fugitivos passaram correndo em frente à sua casa. Apesar de residir ao lado de um familiar e ter em casa uma rotweiller de oito meses, a mulher não se sente totalmente segura. “Na rua, vários vizinhos já foram assaltados”, argumenta. Na residência em frente, câmera e cerca elétrica fazem a segurança do imóvel.
Quanto mais perto da cadeia, mais seguro se sente o morador. Pelo menos Cláudio Guimarães, 58 anos, acredita não correr grande risco ao residir de frente à carceragem, na rua Professor Vágner. No entanto, ele entende que morar a 200 metros do prédio pode representar perigo. Ele vive há 30 anos na rua e disse já ter presenciado uma fuga. “Estava sentado com minha cachorra aqui na frente de casa e vi uma fuga. Mandaram eu soltar o cão, mas não sabia quem era bandido e quem era policial”, comenta. Além do cão de guarda, ele é adepto de outros sistemas de segurança. Tem em sua residência cerca elétrica, bons relacionamentos com outros vizinhos e também com os policiais. Cláudio não é adepto da sirene. “Acho que a gente tem que ter a casa segura. Não tenho medo de que entre em casa porque, quando preso foge, já sabe pra onde ir”, ressalta.
A Delegacia Seccional de Botucatu vem implementando vários sistemas de segurança para dificultar a tentativa de fuga da carceragem. Primeiro foi levantado um muro externo em volta da carceragem. Há câmeras monitorando a movimentação. A carceragem fica isolada por cima por duas telas. Ontem, estava sendo instalada uma cerca elétrica ao redor da muralha. O delegado Seccional de Botucatu, Tadeu Campos de Castro, avalia que as fugas só podem ocorrer com os presos tomando como reféns os carcereiros. Exatamente como ocorreu em maio do ano passado.