Brasília - Em reunião com o ministro José Múcio (Relações Institucionais), o presidente Lula decidiu ontem que a diretoria Internacional da Petrobras será dada ao PMDB. O partido indicou Jorge Zelada para o posto. Zelada, hoje gerente da área de engenharia da Petrobras, será nomeado na cota do PMDB de Minas, mas também conta com o apoio da direção nacional do partido. O PT, que comanda a área internacional da estatal, cederá a vaga. O senador Delcídio Amaral (PT-MS) é o padrinho político do atual diretor, Nestor Cerveró.
Segundo a reportagem apurou, a intenção do presidente é nomear aos poucos os indicados pelo PMDB. Nas palavras de um auxiliar direto, o governo não quer dar a impressão de uma “avalanche” de fisiologia. Múcio tem negociado cargos diretamente com a cúpula do PMDB a fim de assegurar apoio do partido às medidas de aumento de impostos e corte de gastos que o governo adotou para compensar a perda da CPMF.
Esse tributo foi extinto em dezembro pelo Senado, que não aceitou renovar o “imposto do cheque” até 2011, como queria o presidente. No seu primeiro dia de trabalho como ministro de Minas e Energia, Edison Lobão teve como tarefa tratar de um assunto que há meses incomoda a bancada do PMDB: a divisão de cargos do partido no setor elétrico.
A cobiçada presidência da Eletrobrás deverá ficar com Evandro César Camillo Coura, que hoje comanda a Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE).
Formação
Engenheiro eletricista formado pelo Instituto Militar de Engenharia, Evandro Coura é funcionário de carreira do BNDES. Porém, desde 1999, vinha trabalhando no Grupo Rede, um dos maiores do país na área de distribuição de energia.
Sua indicação foi oficialmente assumida pela bancada do PMDB do Senado, tendo à frente o presidente da Casa, Garibaldi Alves (RN). No entanto, a reportagem apurou que o senador José Sarney (PMDB-AP) é padrinho da nomeação de Coura. Como Sarney já foi responsável pela indicação de Lobão para o comando da pasta de Minas e Energia, ele prefere que a bancada assuma o nome.
O PMDB de São Paulo também será agraciado com um posto da Eletrobrás. Até a semana passada cotado para assumir a secretaria-executiva do ministério, Miguel Colasuono, ex-prefeito da capital paulista, deve ficar com a diretoria administrativa da estatal. Os fiadores do nome dele são o presidente do partido, Michel Temer, e o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia. Na Eletrosul, Paulo Afonso Vieira deverá se tornar diretor administrativo, desalojando o petista Antonio Vituri.
Em 1997, Vieira quase sofreu impeachment do governo de Santa Catarina pelo seu envolvimento no escândalo dos precatórios. O PT continuará comandando a presidência da estatal e a diretoria técnica. Foi prometido um cargo também ao senador José Maranhão (PMDB-PB), presidente da Comissão do Orçamento na Casa. Em princípio, ele havia indicado o sobrinho Benjamim Maranhão, que já chegou a ocupar uma diretoria no Banco do Nordeste.
Maranhão deve indicar outro nome, já que seu sobrinho, um ex-deputado federal, foi envolvido no escândalo dos sanguessugas. Já o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), tenta emplacar Antonio de Pádua na diretoria de Construção de Furnas.