Dois excelentes artigos, um sob o título “Escolaridade e trabalho”, de autoria do consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru, Pedro Grava Zanotelli, publicado no JC (Opinião, 15/01/08, pág. 2), o outro, intitulado “Fábrica de bacharéis”, de autoria do jornalista Rogério Gentile, publicado na Folha de São Paulo (Opinião, 14/01/08, pág. A-2).
Artigos com análises críticas objetivas, claras, realistas, ambos focalizando contrastes que estão ocorrendo no sistema escolar brasileiro. É mostrado o grande apoio que se dá a formação de jovens em habilitação profissional em nível universitário, enquanto indústrias reclamam de falta de profissionais qualificados nas áreas técnicas de nível médio.
O jornalista Pedro Grava Zanotelli afirma que a popularização do ensino superior, nestes últimos tempos, criou a ilusão de fazer uma faculdade e com isso resolver o problema do emprego. Cita dados do Ministério do Trabalho fornecidos à Folha (06/01), informando que o maior número de empregos de 2003 a 2006, foi na faixa de baixa qualificação. “É melhor, portanto, estar bem preparado no nível adequado, seja qual for, do que simplesmente fazer uma faculdade”, afirma Zanotelli.
Lembra ainda que jovens do Senai que disputaram uma olimpíada profissional no Japão, concorrendo com alunos do ensino técnico de vários lugares do mundo, se saíram muito bem, enquanto milhares que fizeram faculdades não encontram emprego ou têm que se sujeitar a emprego que não exige mais que a 8.ª série do ensino fundamental.
O jornalista Rogério Gentile cita como exemplo o curso de direito. “No primeiro ano do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o Brasil tinha 235 cursos. No término do seu governo já eram 599. Com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o número de faculdades passou para 971. No entanto, o ensino tecnológico, que deveria suprir a demanda, quase não existe.”
Acrescente-se, o presidente Lula lançou o programa “Universidade para todos”.
Conclui-se desses dois artigos, dos ilustres jornalistas, que a educação no Brasil não é levada a sério. O Poder Executivo nas três esferas de governo, impõe políticas públicas de educação de duração transitória, o governo que assume ignora os programas de seu antecessor, lançam seus novos programas, personalistas, para marcar suas administrações preocupados em suas reeleições ou de seus sucessores.
Projetos, programas sérios de educação precisam ter o tempo de uma geração, no mínimo 25 anos. É preciso que os Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional de Educação, sejam de fato órgãos de planejamento da educação, independentes do Executivo.
Isto para que possam elaborar e executar em conjunto um plano educacional que atenda as necessidades da Nação, em todos os níveis do ensino: educação infantil (creche e pré-escola), ensino fundamental e médio, ensino superior, com criação das referidas escolas de educação básica, de educação geral e técnica, faculdades e universidades, sem discriminação em padrão de qualidade das instituições particulares e públicas.
Finalmente, em Plano Nacional de Educação de governo, isto é, da Nação, que atenda os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, conforme dispõe o artigo 3.º da Constituição Federal, para um Estado verdadeiro Estado Democrático de Direito.
Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do magistério do Estado/SP; conselheiro do Conselho Superior do Centro do Professorado Paulista mandato 2006/2011