Geral

Usuário revela detalhes

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Ele mora em casa própria, tem um bom emprego e um carro na garagem. Também é casado e pai de um filho. Para muitos, o perfil do bauruense Ademir (nome fictício) estaria acima de qualquer suspeita, mas não é bem assim. Considerando a si mesmo um usuário ocasional de entorpecentes, como a maconha, ele conhece em detalhes o submundo das drogas, especialmente as estratégias de comercialização dos traficantes e usuários.

Para o tráfico, Ademir reúne as condições ideais: é discreto, leva uma vida comum como integrante da classe média, não desperta suspeitas e, apesar de não trabalhar diretamente para os traficantes, às vezes atua como uma espécie de intermediário, indo buscar drogas para os interessados. É nessas transações em que ele ocasionalmente aproveita para tirar uma porcentagem da droga para seu consumo, às vezes até mesmo sem precisar pagar nada.

Ademir revela que os donos das “bocas”, os traficantes, nunca se expõem a ponto de entregar pessoalmente a droga. Para isso, entra em cena um intermediário, que utiliza normalmente uma motocicleta para despachar as “encomendas”. “O usuário liga para alguém que conhece o traficante, que pega a mercadoria e depois entrega. Por exemplo, se você está a fim de fumar um baseado, liga para um cara que entrega na sua casa, mas isso é um cara de moto e não o dono do negócio. Isso é assim há milhões de anos e, dentro do meu trabalho, conheço um monte de gente que faz isso, pois já cansei de ver pessoas vindo trazer drogas aqui na porta à noite”, enfatiza.

Ademir confirma, ainda, que o envolvimento de integrantes da classe média com as drogas realmente “explodiu”, colaborando para alastrar o tráfico por todas as áreas da cidade. “Moro em Bauru desde que nasci e há 15 anos, a classe média não mexia com isso, mas hoje já está bastante envolvida.” Ele acrescenta: “Hoje há pontos de tráfico até mesmo em bairros da classe média. É porque na periferia tudo é perigoso, o pessoal tem medo da ação de ladrões, de outros traficantes e até de ser enganado. Se você vai na periferia e leva R$ 100,00 para comprar droga, todo mundo sabe que vai comprar droga, porque o pessoal conhece a boca. Daí você corre o risco de alguém tomar seu dinheiro e ainda apanhar e não poder fazer nada, pois não pode nem denunciar para a polícia.”

Comentários

Comentários