A previsão para os próximos dois meses, quando termina a estação das águas, é de chuvas dentro da média histórica. De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), não vai chover nem mais nem menos do que de costume no Estado de São Paulo até abril.
No entanto, isso não significa que os consumidores de energia de Bauru e região estão livres de um novo racionamento. É preciso que chova o suficiente em todas as regiões do País, porque a energia produzida pelas usinas da região é lançada no Sistema Interligado Nacional. Se houver risco de desabastecimento no Nordeste, a energia que estiver sobrando no Sul, por exemplo, é usada para socorrer os nordestinos, ou vice-versa.
“Isso minimiza o problema até a chegada da chuva para encher os reservatórios vazios”, diz o engenheiro eletricista Carlos Kirchner. “O problema da falta de energia não é mais regional, mas nacional.”
Ele lembra que em 2001, enquanto o Sudeste sofria com o racionamento de energia, as usinas hidrelétricas do Sul “transbordavam” de tanta água.
Após o apagão, o governo federal investiu na expansão da linha de transmissão e facilitou a troca de energia entre regiões distantes. “Se essa facilidade existisse em 2001, é provável que o racionamento tivesse ocorrido numa intensidade muito menor”, acredita Kirchner.
Além disso, o governo pode recorrer também às usinas termoelétricas para compensar alguma perda de produção das hidrelétricas. “Por essas e outras, a conclusão a que eu chego é que o Brasil vai se ‘safar’ sem problemas neste ano”, aposta o engenheiro.
O gerente geral de operações da Duke Energy, Paulo Ricardo Laudanna, lembra também que dentro do próprio Estado de São Paulo havia reservatórios cheios em 2001, mas nada podia ser feito para resolver o problema da falta de energia por não existirem tantas linhas de transmissão disponíveis.
“Enquanto todo mundo (dentro do Estado) racionava energia, o rio Paranapanema (onde estão instaladas as usinas de Piraju e Jurumirim, entre outras) estava com 100% de sua capacidade”, recorda.
“Hoje, com o aumento das linhas de transmissão, existe uma grande avenida entre o Sul e o Sudeste. Com isso, o Brasil ficou menos vulnerável”, acredita Laudanna.
O engenheiro Kirchner, no entanto, faz um alerta. Segundo ele, se o País continuar crescendo no mesmo ritmo do ano passado, cerca de 5%, será preciso investir mais em geração de energia. Como se trata de obras caras e demoradas, o quanto antes elas forem iniciadas, menor será o risco de novo apagão.