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Carro desgovernado mata dois

Folhapress
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São Paulo - Duas pessoas morreram e três ficaram feridas após serem atropeladas em um ponto de ônibus na noite de ontem, em Itaquaquecetuba (Grande SP). O motorista perdeu o controle do veículo, entrou na contramão e invadiu o ponto na estrada do Pinheirinho.

À polícia o motorista disse que ingeriu bebidas alcoólicas e fez uso de antidepressivos. Ele pagou fiança de R$ 1.000,00 e foi liberado. Os namorados Fabrício Aparecido Lins Caetano, 21 anos, e Domenica Aparecida Teixeira, 24 anos, que haviam ido ver o apartamento para o qual mudariam, foram atropelados. Ele morreu na hora e ela está internada em quadro estável.

O vigia Edeval José de Freitas, 27 anos, que estava a caminho do trabalho, também morreu. Poucas horas após sair do hospital, com hematomas e escoriações pelo corpo, a dona-de-casa Cleusa Vieira de Souza, 57 anos, disse que o motorista dirigia o Santana branco em alta velocidade. “O carro bateu e só vi as pessoas caídas no chão.”

Indignação

À reportagem, as famílias dos mortos disseram que estavam indignadas com o fato de o motorista ter sido solto. À polícia, o soldador A.L.L., 29 anos, que dirigia o carro, disse que estava sendo perseguido. Em depoimento confuso, em que ele chegou a desmaiar, falou primeiro que uma moto o seguia e, depois, que se tratava de um carro.

Segundo a polícia, ele disse que, quando o médico lhe prescreveu antidepressivos, avisou que não poderiam ser misturados com bebida alcoólica. Ele foi indiciado por homicídio culposo (sem intenção).

Segundo o advogado especialista em leis de trânsito, Cyro Vidal, é uma questão de interpretação. “Na minha opinião, ele deveria ser enquadrado em homicídio com dolo eventual, que é tratado como doloso (intencional). Ele não tinha a intenção de matar, mas assumiu esse risco ao beber”, afirmou o especialista.

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