Tribuna do Leitor

Novela cansativa


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Recentemente, adquiri um veículo usado numa revenda autorizada em nossa cidade - me reservarei o direito de não mencionar nenhum nome aqui - e decidimos fazer a transferência pessoalmente, já que o referido tinha procedência garantida. Depois de aguardar os dias regulamentares para a retirada dos novos documentos, me dirigi ao guichê correspondente onde, para minha surpresa, apareceram algumas multas de outros estados e de responsabilidade do antigo proprietário. Ao indagar sobre como proceder, uma senhora, funcionária do Ciretran, me respondeu indicando um despachante, que era a maneira mais fácil e rápida, no que respondi que já que se diz poder fazer pessoalmente, assim o faria. Depois de tudo quitado, finalmente consegui os novos documentos do veículo, mas aí já havíamos passado para 2008 e se faz necessário trocar as placas do veículo e não só a “tarjeta”, esse tipo de coisa com a qual somos regularmente presenteados em nosso Brasil, como foram estojo de 1ºs socorros e mais recentemente os selos do Inmetro e adesivos em capacetes, etc..

Depois de uma pesquisa constatei que podia fazer as novas placas em outra empresa, por um valor bem menor do que no posto de emplacamento, que é terceirizado e cobra R$ 70,00 por um par de placas “normais” ou R$ 90,00 pelas especiais. Na empresa que encomendei - e fica em frente ao famoso posto de emplacamento - as novas placas custam R$ 35,00 e R$ 70,00, respectivamente, além de ficar prontas em poucos minutos. Como estava tudo certo, pedi a Ellen - minha esposa - que fosse hoje mesmo (13/02) após as 14hs. Ela foi as 15hs e, ao ser atendida por uma funcionária que estava grávida, recebeu a notícia de as placas não estavam lá, argumentando que deveriam estar após as 14 hs. Não obteve sucesso já que a atendente foi categórica, perguntou então onde era a loja da empresa que nos vendeu e recebeu a resposta de que não sabia, ao insistir dizendo que sabia ser ali por perto, recebeu a resposta de que não poderia dizer! Procurou então e, ao ver a placa de identificação da empresa do outro lado da rua, informou que iria até lá, no que foi advertida pelos trabalhadores porque não poderia deixar o carro ali sob pena de tê-lo guinchado...

Retirou ela então o veículo da fila e dirigiu-se à empresa. Lá chegando foi informada que as placas estavam lá sim desde as 14hs, conforme prometido. O atendente acompanhou Ellen até o posto e lá chegando imediatamente as placas apareceram com um irônico sorriso pedido de desculpas da futura parturiente. Mas a novela ainda não acabou. Quando foi Ellen trocar as placas, foi conduzida ao fim da fila, mas argumentou que foi retirada por um erro deles mesmos. Lugar restabelecido, veio então um forte trabalhador/emplacador lhe informar que aquelas placas eram de má qualidade e que rapidamente se deteriorariam, além de que não tinham a garantia deles. Após ser advertido de que eram aquelas as placas que seriam colocadas no veículo, colocou-as com breves resmungos de que havia avisado.

Detalhe 1: O atendente da empresa havia me antecipado todos esses empecilhos que parecem fazer parte da cartilha dos trabalhadores do referido posto. Detalhe 2: As placas que o emplacador diz serem de má qualidade são confeccionadas com as mesmas chapas das que se usam no posto e fornecidas por eles mesmos. Chega, né?

Marco Labão

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