Física, biologia, química e legislação de trânsito. As escolas que ministram ensino médio poderão a partir deste ano oferecer aulas teóricas sobre trânsito, em parceria com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Se o aluno freqüentar 75% das horas-aula do curso extracurricular, receberá certificado que valerá para iniciar as aulas práticas para dirigir em uma auto-escola, por exemplo. Ou seja, ficará mais rápido e fácil obter uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
De acordo com a resolução 265 publicada anteontem pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), as escolas interessadas no desenvolvimento destas atividades extracurriculares deverão solicitar autorização ao Detran, que será responsável pela fiscalização. A resolução regulamenta que as atividades deverão totalizar 90 horas-aula, distribuídas entre os três anos do ensino médio. As escolas autorizadas pelo Detran deverão acompanhar e controlar a freqüência dos alunos que optarem pelo curso.
Durante as atividades, os estudantes aprenderão sobre legislação de trânsito. Segundo o Contran, o objetivo do conteúdo é que os futuros motoristas tenham consciência da direção segura. Para isso, a atividade deverá ser ministrada por profissionais que possuam capacitação no curso de formação de instrutor de trânsito do Detran. Os alunos que realizarem essas atividades poderão iniciar o processo de obtenção da permissão para dirigir sem a necessidade de freqüentar o curso teórico ministrado pelas auto-escolas.
Pegas de surpresa pela publicação da resolução, as escolas ainda estudam como irão oferecer a opção aos alunos. De acordo com Gérson Trevisani, diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), na próxima reunião da entidade, as escolas também deverão debater como disponibilizarão as atividades extracurriculares de trânsito.
“Vamos analisar se é vantagem”, observa. Para ele, a questão deve ser discutida. “Acredito que educação de trânsito é fundamental. Muitos jovens perdem a vida em acidentes e a escola deve intervir”, opina.
A Diretoria Regional de Ensino (DRE) também estuda como será a atividade extracurricular. Vera Nilce Jarussi, dirigente regional de ensino, avalia que a Secretaria do Estado a Educação deve se manifestar em breve sobre a resolução do Contran. “Vamos aguardar a manifestação da secretaria. Mas teremos empenho em oferecer o curso. É um tema de interesse da comunidade escolar e da população em geral”, avalia.
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Auto-escolas
Com a possibilidade de freqüentar as aulas teóricas em seus colégios, muitos estudantes e futuros candidatos a motoristas poderão não fazer o curso oferecido pelas auto-escolas. Apesar de deixar de oferecer o serviço a esses clientes, as auto-escolas não deverão sofrer perdas a curto prazo. Essa é a avaliação de Paulo Alves de Souza, diretor de ensino de uma auto-escola de Bauru.
“Como não será um curso obrigatório, acredito que não afetará financeiramente as empresas. Além disso, o preço para a obtenção de uma CNH em Bauru está muito baixo e o valor da aula teórica não é muito significativo no total”, pondera Ferreira. Para o diretor, se o curso extracurricular nas escolas passar a ser obrigatório, as auto-escolas poderão enfrentar problemas. “Caso passe a ser exigido obrigatoriamente, teríamos que fechar os centros de ensino teórico”, pondera.