Mesmo na berlinda, a escola pública resiste e insere alunos no ensino superior. Aprovação em vestibular concorrido não é apenas prerrogativa de estudantes de instituições privadas. Em Bauru, somente a escola estadual Stela Machado transformou 25 estudantes de ensino médio em universitários. Seis deles foram aprovados pela Universidade Estadual Paulista (Unesp).
É o caso, por exemplo, de Heloise Gomes Basso, matriculada no curso de desenho industrial. Seu nome constou na lista em primeira chamada, embora tenha feito apenas três meses de cursinho preparatório, abandonado antes da inscrição para o exame. “Estava muito estressada. Não tinha tempo de estudar para o vestibular”, comenta.
Atribui seu desempenho ao gosto pela leitura e aos noticiários, diariamente acompanhados. Na opinião dela, a dedicação do aluno é fundamental. Tem a mesma opinião a colega Camila Helena Fascina, que fará biologia também na Unesp. Ela estudou por conta própria e participou do cursinho oferecido pela universidade. “A escola tem muitos professores bons, mas não adianta ficar só nisso, o aluno tem que procurar mais conhecimento”, explica.
Afinal, persiste o desnível entre as escolas públicas e privadas, avalia Juliana Aparecida Adolpho, outra aprovada pela Unesp, onde cursará letras. Ela defende que a rede pública ofereça material didático e aulas específicas aos alunos interessados em freqüentar o ensino superior.
Dedicação
“Acho que os profissionais da educação são pouco valorizados. No Stela Machado são extremamente dedicados, contribuíram muito”, enfatiza Juliana. Mesmo sem remuneração, no final do ano passado, o corpo docente da escola trabalhou em horário contrário ao das aulas para preparar os estudantes inscritos em vestibular, explica a diretora da escola, Teresa Regina Escareli Ferreira.
Mas segundo ela, o segredo do sucesso dos estudantes é um pouco mais complexo, seja na escola privada ou na pública. O primeiro ingrediente é uma boa alfabetização. Depois, os pais do aluno devem não só acreditar no trabalho da escola, como participar da vida educacional do filho. Para fechar, o interesse do aluno é fundamental.
De acordo com Teresa, a família que matricula seus filhos em escola privada normalmente cobra desempenho, até porque paga. Isso nem sempre acontece na rede pública. “Todas as escolas têm condições de preparar, tanto para a universidade quanto para o mercado de trabalho, mas o aluno tem que querer”, explica a diretora.
Para ajudá-los, embora não seja recomendação, no início do ano, quando vai formar as classes, ela avalia o perfil de cada aluno e tenta agrupá-los, segundo o interesse comum. Deste modo, fica mais fácil direcionar as aulas, especialmente no final do ano, próximo ao vestibular.