Polícia

Boato de tiroteio fecha duas escolas

Por Luciana La Fortezza | Com Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Um boato de que haveria um acerto de contas com risco de tiroteio entre facções rivais no Parque Santa Cândida, em Bauru, esvaziou duas escolas do bairro ontem. A situação retrata bem o clima de tensão vivenciado pelos moradores da região, que respeitaram a lei do silêncio ao serem abordados pela reportagem. Se falar era perigoso, circular pelas ruas, especialmente à noite, ainda mais.

Mesmo assim, alguns bares arriscaram e mantiveram as portas abertas. Poucos clientes compareceram. Num estabelecimento consultado, o tradicional churrasquinho chegou a ser suspenso. Por noite, 200 deles são vendidos. Ontem, no entanto, apenas uma mesa estava ocupada. Em determinados momentos, ruas normalmente movimentadas permaneciam completamente vazias.

É o caso da Primo Pegoraro, onde está situada a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Waldomiro Fantini. Como muitos pais preferiram manter seus filhos em casa e o número de alunos ficou muito aquém do normal, as aulas foram suspensas a partir do período da tarde, conforme orientou a Secretaria Municipal de Educação.

A quadra de esportes, porém, foi utilizada à noite. Uma partida de futebol mantinha a sensação de normalidade na área. A impressão se esvaziava ao avançar pela via. Nas imediações da Escola Municipal de Ensino Infantil Integrada (Emeii) Lilian Aparecida Passone Haddad, que também dispensou seus alunos, o clima parecia pior.

Mas não foi capaz de impedir reuniões pontuais de vizinhos em frente de casa. Se os adultos não falavam, crianças deixavam escapar as mais variadas histórias. Além da tal guerra entre facções, elas citavam tiroteio numa das escolas do bairro, explosão de bombas em outra, o resgate de uma mulher ferida à bala e a morte de um homem pelo mesmo motivo. Nada disso foi registrado pela polícia.

Patrulhamento

A gravidade dos boatos iniciados anteontem aumentava conforme o tráfego de viaturas da Polícia Militar, que reforçou o patrulhamento na região.

“O policiamento no bairro foi reforçado, com viaturas da Rocam (Rondas Ostensivas com o Apoio de Motocicletas) e da Força Tática. As escolas também receberam reforço. Durante o dia inteiro duas viaturas da Ronda Escolar com dois policiais cada uma permaneceram no local. Não havia necessidade alguma das aulas terem sido suspensas”, informa o capitão Valter Luís Sales Gonçalves, comandante da 3ª Companhia da PM, responsável pela área.

De acordo com ele, não há nenhuma guerra entre facções criminosas, ataques contra instituições ou ações destas facções no bairro. O problema foi provocado por uma questão isolada entre dois indivíduos que pertencem a facções criminosas antagônicas, explica o capitão.

Ainda segundo Valter, o boato seria conseqüência de uma suposta retaliação de um fato registrado na última quarta-feira. “Nos próximos 15 dias, policiais da Cavalaria, Força Tática e Rocam continuarão a reforçar a segurança no bairro”, conclui.

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Início da história

A ameaça de acerto de contas que levou medo ao Parque Santa Cândida começou a surgir na madrugada da última quarta-feira. Aos 30 minutos daquele dia, a Polícia Militar foi acionada porque haveria várias pessoas baleadas na rua Lacy Jabur Damião. Quando as viaturas chegaram ao local, encontraram duas pessoas feridas a tiro.

O desentendimento seria entre membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e pessoas conhecidas por Vermes, por não serem ligadas à facção.

O revide, enfim, teria sido marcado para ontem, ainda segundo os boatos. À tarde, no entanto, um suspeito de ter feito os disparos foi encaminhado ao Distrito Policial e liberado na seqüência por falta de provas.

Neste caso, no entanto, o desentendimento seria entre pessoas ligadas a facções e não entre as próprias facções.

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