Pense na última propaganda de cerveja que você viu. E nem precisa ser de uma marca específica, geralmente o cenário é o mesmo: amigos num bar, tomando uma cerveja gelada com muitas mulheres ao seu redor. Mulheres bonitas com seus corpos esculturais quase que totalmente à mostra, ali, prontas para servir ao homem. Esse cenário levanta a questão do uso da imagem da mulher nesse tipo de publicidade, onde elas são apresentadas como meros objetos para consumo.
“Não há sutileza, as mulheres estão ali para serem consumidas. Os anúncios revelam que a mulher é algo para servir ao homem e mostram como estamos longe de uma sociedade com equidade de gêneros”, argumenta Berenice Bento, doutora em sociologia e pesquisadora da Universidade de Brasília. O que Bento quer dizer é que mesmo vivendo em uma sociedade que prega a igualdade de gênero, as mulheres ainda são usadas num modelo machista de submissão ao homem, e a prova disso são as propagandas de cerveja.
O uso dessa imagem feminina tem motivo: feita para o público masculino, a propaganda relaciona o consumo da cerveja ao sucesso na conquista das mulheres, o que é um desrespeito ao código de auto-regulamentação. “Os anúncios não se utilizarão de imagens, linguagem ou idéias que sugiram ser o consumo do produto sinal de maturidade ou que contribua para o êxito profissional, social ou sexual”, é o que diz o item 4-h do Código Brasileiro de Auto-regulamentação. Mas os publicitários simplesmente passam por cima desses detalhes.
Atualmente as restrições para exibição das propagandas de bebidas levam em consideração apenas o teor alcoólico do produto e não o conteúdo da propaganda em si. Proibir exibições de alguns comerciais e uma maior rigidez por parte do Conad (Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária) poderia ser um começo para acabar com esse ícone da mulher-objeto, utilizada apenas como um símbolo de sedução, luxúria e satisfação do homem.
Ana Cláudia Palmeira Tripoloni - estudante