Por passarem boa parte do dia debruçados sobre livros e cadernos em busca do aprendizado, crianças e adolescentes enxergam a escola como um segundo lar. Nos últimos tempos, porém, o ambiente encontrado nas unidades públicas de ensino tem sofrido com a degradação, fruto de pichações, depredações, falta de investimento e da ação do tempo. Nos bairros de Bauru, a situação não é muito diferente entre as 63 escolas municipais e estaduais em funcionamento.
Tal cenário tem motivado educadores, entidades ligadas à educação, pais e alunos a cobrarem cada vez mais do governo estaduais e municipais investimentos para oferecer a todos um espaço que proporcione condições para um aprendizado completo para os cerca de 53 mil alunos matriculados nas redes de ensino estaduais e do município em Bauru, que retornaram na semana passada às aulas.
Para minimizar os problemas estruturais, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Educação, repassou verbas para reformas em várias unidades de Bauru. Já a Prefeitura de Bauru realizou mutirões de limpeza, pintura e capinação, a fim de adequar seus espaços públicos ao retorno dos alunos.
A reportagem visitou diversas das 49 escolas estaduais de Bauru e em quatro delas teve acesso à área interna para checar o resultado das reformas e ouvir a comunidade dessas unidades de ensino. O que se checou é que alguns problemas ainda persistem, apesar da ‘minirreforma’ proporcionada pelo mutirão patrocinado pela Secretaria de Estado da Educação, como muros e paredes pichados, banheiros com problemas hidráulicos e quadras esportivas sem condição de uso, que ainda podem ser encontradas na cidade.
Essa situação é velha conhecida do corpo docente do Estado. De acordo com Suzi da Silva, diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em Bauru, o mobiliário das salas de aulas também apresenta diversos problemas. “Em algumas escolas as carteiras do alunos não têm mais condição de uso e a mesa onde os professores ficam também estão em péssimas condições”, relata, para quem a solução dos problemas encontra-se nas mãos do Estado e não na direção das unidades escolares.
A reclamação também parte de pais e alunos dessas escolas. Helaine Cristina Ferraz, mãe de uma aluna matriculada em uma escola estadual de Bauru, reclama das condições dos banheiros da escola em que a filha estuda. “Vidros quebrados, alguns boxes nem portas possuem e é sempre um sujeira total”, afirma. Michele Fernanda, aluna de outra escola, também se queixa das carteiras. “Algumas não possuem nem lugar para gente guardar os materiais e as poucas que possuem são disputadas pelos alunos”, conta.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria da Educação, já foi efetuada a compra de novos mobiliários para as escolas. Quanto às questões estruturais, o órgão ressalta que a maior parte das escolas reformou e pintou banheiros durante o mutirão “Trato na escola”, realizado pelo Estado no início do mês.
Já no âmbito municipal os problemas são em menor escala, mas existem. São 14 escolas de ensino fundamental que compõem a rede municipal e nelas problemas de pichações e depredações são constantes. Como a grande parte das construções é recente, os problemas estruturais são bastante localizados.
De acordo com Ana Maria Lombardi Daibem, secretária municipal da Educação, como o número de escolas de ensino fundamental sob responsabilidade do município é menor, os problemas são resolvidos mais rapidamente.
Por conta disso e da demanda, o município mantém-se investindo em novas unidades escolares. “Vamos entregar nos próximos meses duas novas escolas, são Centros de Educação Municipal Integrada (Cemis), um no Parque Viaduto e outro no Jardim Petrópolis, que atendem a nova concepção de ensino no município”, completa a secretária.
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Reformas ‘atacam’ muros pichados
Cada escola mantida pelo Estado em Bauru recebeu da Secretaria da Educação, por meio da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), R$ 7 mil para reforma, aquisição de materiais e contratação de serviços. O dinheiro foi depositado diretamente na conta da Associação de Pais e Mestres (APM) de cada unidade escolar.
O mutirão, batizado de “Trato na escola”, de acordo com a assessoria de imprensa da secretaria, visa deixar as escolas limpas e organizadas em todo o Estado. Em Bauru, as 49 unidades receberam o dinheiro e a maior parte já concluiu os serviços, outras estão em fase de acabamento.
No total a secretaria repassou às escolas de Bauru R$ 343 mil por meio do programa. A maior parte delas utilizou a verba para a pintura externa dos muros e no interior das próprias escolas.
Na Escola Estadual Professor Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, o dinheiro foi investido na pintura dos muros e paredes internas, troca dos vidros das janelas, reforma dos banheiros, inclusive da parte hidráulica e elétrica, além da capinação em volta da quadra de esporte.
Já a Escola Estadual Professora Ana Rosa Zucker D’ Annunziata, no Parque Paulista, ainda não conseguiu terminar as obras, mas o prazo termina amanhã. De acordo com a diretora da unidade, Lúcia Helena Rodrigues Madureira, a pintura interna já foi feita e alguns pequenos detalhes estão em andamento. A parceria com empresas da cidade rendeu só este ano cinco novas lousas para a unidade; no ano passado, a mesma empresa já havia doado outras quatro novas lousas.