JC Criança

A evolução dos brinquedos

Dayran Carvalho
| Tempo de leitura: 6 min

Você já pensou em entrar em um túnel do tempo e conhecer os brinquedos que as crianças brincavam antigamente? Não seria bem bacana descobrir como seus pais, tios e avós se divertiam?

Então, a partir de agora isso já é possível. É claro que a parte do túnel do tempo é mera força de expressão, mas conhecer estes brinquedos está muito fácil, pois o Alameda Quality Center tem realizado uma exposição que é uma verdadeira viagem pela história do brinquedo brasileiro. Lá você encontra objetos que fizeram parte da infância das crianças das décadas de 30 a 90 do século passado, todos fabricados pela Estrela, empresa brasileira especializada na produção de brinquedos.

Ao entrar neste mundo das brincadeiras e diversões, é possível identificar não só os atrativos infantis de cada época, mas também a própria evolução da sociedade em termos de moda, meios de transportes, costumes e tecnologia.

Quer ver? A primeira boneca fabricada pela Estrela, por exemplo, era feita de massa no rosto, tinha o corpo todo costurado e entreteu muitas meninas em meados de 1937. Já na década de 80, a Susi-Patins encantava as garotas que brincavam com ela e também sonhavam em andar sobre as rodas do outro brinquedo.

Em contrapartida à simplicidade da primeira boneca, o robô Bam-Bô surpreendia a garotada em 1975. Já em 1985, a atenção dos garotos se voltou para o carro Colossus, pois ele era atraente e tinha controle remoto. Vale observar que em meio a toda transição que os brinquedos passaram os objetos de madeira tiveram seu espaço e alegraram várias pessoas por muito tempo. O Sorveteiro (1964), a Galinha Cocoricó (1955) e o Urso (1973) são bons exemplos disso.

“O brinquedo é o espelho em que você devolve para a sociedade o que você está respirando. Ele se torna a radiografia do que a sociedade entendia por modos de viver, consumir, utensílios e máquinas existentes”, acredita Aires Fernandes, diretor de marketing da Estrela, onde trabalha há quase 30 anos.

Em outras palavras, o brinquedo revela o que aconteceu e acontece em cada época, principalmente nos aspectos de tecnologia e vestuário. “As mudanças das roupas aconteceram junto com a história e evolução do Brasil”, completa Aires.

Os brinquedos imitam moda, hábitos, culturas, cortes de cabelo, formas de beleza e muito mais. Aires explica que as bonecas, por exemplo, eram mais cheias até a década de 50, já hoje estão mais afinadas, com as pernas e braços mais fortes e a cintura fina, sendo bem parecidas com a imagem da mulher brasileira moderna.

Além das formas, os materiais utilizados na confecção dos brinquedos também mudou. O avanço da tecnologia, entre elas da indústria plástica e do vinil, fizeram com que a pele das bonecas ficasse cada vez mais parecida com a nossa.

A indústria mecânica também se desenvolveu e passou a ser incorporada em vários atrativos, principalmente no carrinhos, que se tornaram mais sofisticados a cada nova invenção.

Hoje, a onda do momento é a eletrônica. A garotada está cada vez mais ligada em jogos e videogames, principalmente computadores. Por isso, os brinquedos têm trazido para o universo infantil elementos que fazem parte da rotina dos adultos, mas de maneira bem divertida, é claro.

Em décadas de história, ficou bem claro que seus brinquedos são bem diferentes dos utilizados por seus pais. Mas você já pensou que estes objetos antigos também podiam ser muito divertidos e que, talvez, seria legal poder brincar com coisas parecidas? Dá para ir mais além: você já refletiu que quando você tiver filhos, daqui uns bons anos, os brinquedos deles poderão ser muito diferentes dos seus? É bom pensar nisso, mas de forma positiva, é claro. Afinal, a sociedade muda e os brinquedos não poderiam ficar de fora disso.

• Serviço A Exposição “Museu de Brinquedos Estrela”, no Alameda Quality Center, vai até o dia 8 de março. Visitação gratuita, aberta 24 horas. O Alameda Quality Center está localizado na altura do quilometro 335 da rodovia Marechal Rondon. Mais informações pelo telefone (14) 3321-5000.

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Ai que vontade de brincar...

O garoto João Vítor Honório, de 2 anos e 7 meses, ficou encantado ao ver tantos brinquedos reunidos em um só lugar. Sua mãe, Sara Cristina Bertho Honório, resume o comportamento do filho em uma única frase: “Ele está fascinado”, diz com sorriso no rosto. João Vítor puxava a mãe pelas mãos para que ela pudesse conferir tudo bem de perto, junto com ele.

Quando o garoto viu o carro Collossus (1985), pediu para que Sara o levantasse, pois assim ele poderia ver ainda melhor, mas isso não foi tudo. Mais interessante ainda foi quando ele se deparou com o carro Elastikon, de 1988. Adivinhe por quê? Porque o pai dele tinha um carro deste e guardou até hoje para que João Vítor pudesse brincar.

Foi impossível descobrir de qual brinquedo João Vítor mais gostou, pois ele se divertiu muito. “Esse é demais”, dizia diante de cada “novidade”. A frase “quero brincar” também foi muito dita por ele durante sua visita à exposição.

O garoto contou que tem um monte de brinquedos em sua casa e adora brincar com todos. Os preferidos são o Velotrol e o Jipão.

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É super legal

Isadora Corrêa Gama, que estuda no Colégio Interativo e tem 9 anos, nem bem chegou à exposição e já contou que queria voltar outras vezes. Para ela, estava tudo muito legal, principalmente saber como a criançada se divertia há anos atrás. Segundo a garota, este foi o principal motivo que a levou até lá.

A mãe de Isadora, Venessa Corrêa Gama, circulava entre as “relíquias”, como ela mesma intitulou, com um imenso ar de saudade. “Estou reencontrando vários brinquedos que eu e minhas irmãs tivemos”, revela.

Isadora diz gostar dos brinquedos de hoje, principalmente de jogos com Resta 1 e Banco Imobiliário, mas acredita que deveria ser bem legal se divertir com várias objetos que pôde conhecer na exposição. O brinquedo que mais lhe chamou a atenção foi o robô Ar-Tur, de 1981. “Ele é grande e tem bastante coisa. Isso é muito legal”, opina.

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Presente e passado

“Olha esse robô”, diz Jonatthan Marques Neves Tuzzi, de 9 anos, que mora em Penápolis, ao avistar o Ar-Tur. Ele ficou encantado com este brinquedo da década de 80, mas logo encontrou outro que lhe agradou ainda mais: o carro Maximus, de 1991.

Quando questionado sobre o que mais lhe chamou atenção no brinquedo preferido, ele responde imediatamente que é o controle remoto. “Gostaria de ter um deste”, responde Jonatthan.

No entanto, mesmo gostando dos brinquedos da exposição, o garoto deixa claro que não trocaria seu videogame por nenhum deles. Segundo ele, as crianças de hoje se divertem mais. Este é o pensamento de Jonatthan, e qual é o seu?

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