Nacional

Dois jovens são mortos em baile funk

Por Tharsila Prates | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Dois jovens foram mortos e um ficou ferido ontem, no fim de um baile funk, em Guarulhos (Grande São Paulo). Até o fechamento desta edição, o autor dos disparos fugiu e não havia sido localizado. O crime ocorreu por volta das 2h, no bairro Jardim Soinco, na periferia da cidade, e provocou correria e pânico. A festa, que tinha começado por volta das 21h, estava no final e foi realizada em um salão alugado pela Associação dos Amigos do Jardim Soinco.

A polícia vai investigar o motivo do crime. A suspeita é que tenha havido uma discussão entre os freqüentadores do baile e um deles reagiu atirando. No local, foram apreendidos três projéteis de pistola calibre 380 e o celular de uma das vítimas.

Fernando Rogério da Silva Filho, 18 anos, e Cícero Augusto Silva de Andrade, 17 anos, morreram no local. Silva Filho foi encontrado na entrada do baile com três tiros - um nas nádegas, um no tórax e outro nas costas. Mesmo ferido, ele teria tentado fugir. Já Andrade, que foi atingido dentro do salão, tinha ferimentos na face e outro na mão direita. Z.C.S., 18 anos, foi atingido no abdômen, mas a bala não perfurou a pele.

O sobrevivente está internado em um hospital de Guarulhos em observação e não corre risco de morte. Segundo familiares, as vítimas não tinham envolvimento com atividades criminosas. Testemunhas disseram que um indivíduo moreno, que estava vestindo uma camisa verde, foi o autor dos disparos. Ele teria dito: “Já que vão brigar lá fora, eu vou começar por aqui mesmo”, dando a entender que a confusão começou ainda dentro do salão. ma vizinha contou que ouviu o barulhos dos tiros. “Eu estava deitada, mas ainda não tinha dormido por causa do barulho da festa. Depois dos disparos, eu nem saí de casa para ver o que tinha acontecido. Fiquei com medo”, disse a mulher, que preferiu não se identificar. A polícia vai investigar a informação de que, no início da festa, um carro preto passou atirando na frente do salão, sem atingir ninguém.

Famílias

As famílias dos dois jovens mortos se mostraram indignadas e não acharam resposta para o crime. Segundo eles, as vítimas não tinham envolvimento com drogas nem com outra atividade ilícita que pudesse prejudicá-los. “O meu sobrinho era sossegado. Gostava de jogar bola e videogame”, contou o pintor Jair Cândido, 50 anos, tio de Fernando.

Cândido afirmou que o sobrinho saiu de casa na tarde de anteontem para jogar bola e, convidado por amigos, passou na casa do pai para trocar de roupa e foi até o baile funk. O jovem tinha feito um teste para trabalhar na Casas Bahia e estava aguardando ser chamado. “Ele também acabou de fazer um curso de informática”, disse o tio, que acha que o sobrinho morreu por engano.

A família de Cícero informou que o jovem trabalhava havia cerca de dois anos em uma fábrica de carteiras de couro perto de casa. Tinha concluído os estudos, não fumava nem bebia.

A mãe do rapaz esteve ontem no IML da Vila Rio, em Guarulhos, e estava muito abalada. Ela precisou ser amparada por familiares. A polícia vai apurar se o bairro onde moravam as vítimas era ponto de tráfico de drogas e se isso teve ligação com o crime. Os policiais também esperam identificar o autor dos disparos com a ajuda do sobrevivente.

Comentários

Comentários