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Bauru é a bola da vez?


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Primeiro eu acredito mesmo ser a nossa Bauru a “bola da vez” em termos de desenvolvimento econômico. Ficaria aqui dando mil razões, que vão dos investimentos de grande vulto anunciados por grandes empresas ao dinamismo do Interior que se deu a partir das cidades próximas à Capital, rumo ao oeste do Estado. Esse desenvolvimento já passou por Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto, Piracicaba, Rio Preto e agora chega a Bauru. Um marco, porque pela primeira vez essa onda desenvolvimentista atravessa o Rio Tietê. O mesmo rio que segurou no passado o nosso progresso, na velocidade inversa das demais cidades citadas, por questão de logística.

Uma análise rápida: o investidor quer cidade de porte de até 500 mil habitantes, mas que seja pólo regional (estamos enquadrados). Eles querem boa qualidade de vida na cidade foco (não podemos reclamar quanto a esse item). O aspecto logístico é seriamente levado em conta (estão aí nossas rodovias, ferrovia, hidrovia e o aeroporto em ponto de se apresentar como o mais importante no que diz respeito a cargas). Precisa mais? Não podemos desprezar a coerência com que o governador Serra vem conduzindo seu mandato. Suas ações deixam claro que o que ele pretende mesmo é fazer um grande governo, até porque é o principal candidato de seu partido à presidência da República. E nessa ótica não lhe cabe protecionismo regional. Então estamos em igualdade de condições no aspecto político e melhor posicionado quanto a detalhes técnicos. Criticar a administração municipal nesse momento, com todos os problemas que a cidade apresenta, em decorrência de sua falta de ações, nem vem mais ao caso, mesmo porque estamos há menos de um ano para seu término de mandato. Mas salientemos o trabalho focado na recuperação da máquina financeira da prefeitura e este aspecto é muito importante para a próxima administração que vem aí e que deverá sim ter perfil de desenvolvimento econômico. E isso é irreversível, já que ações tomadas, como a de estender a área urbana de Bauru quase aos limites da cidade, em sua zona sul, preparam-na para seu momento importante. Nem levo em conta o “boom” imobiliário aqui verificado, porque isso é questão de conjuntura nacional. Os financiamentos estão aí ao alcance de todos e o reflexo é essa maravilha que acompanhamos, com mais famílias comprando suas moradias e o mercado de construção civil em alta, gerando emprego, renda, etc.

Por que nos prepararmos? Porque toda ação provoca uma reação, na mesma intensidade e, no caso presente, no mesmo sentido. De nada adianta um novo aeroporto se não tivermos profissionais de logística, administração, de tráfego aéreo, etc., a gerenciá-lo. De nada adianta novos hotéis se não tivermos profissionais à altura para receber nossos turistas. E de nada adiantará o megainvestimento com muitas lojas atuando em muitos segmentos, se não tivermos um marketing adequado para atrair os clientes da região.

Aliás, aqui reside a grande preocupação: só teremos êxito com esse anunciado crescimento se nos fixarmos em definitivo como pólo regional (e num raio de mais de 100 kms). E para isso será indispensável a presença de bons profissionais de marketing para planejar, levar comunicação adequada a toda a região, cuidar de estratégias, saber trabalhar em fidelização dos conquistados e assim por diante. Um desafio alentador!

O autor, Renato Cardoso, é publicitário e delegado Regional de Turismo

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