Caracas - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ordenou ontem o fechamento da embaixada da Venezuela na Colômbia e a mobilização de “dez batalhões” militares na fronteira entre os dois países. As ações do venezuelano são em resposta a uma operação militar colombiana no Equador contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
“Ordeno de imediato a retirada de todo nosso pessoal da embaixada de Bogotá. Que se feche a embaixada de Bogotá. Chanceler (Nicolás) Maduro, por favor, feche nossa embaixada e mande que voltem todos nossos funcionários”, disse Chávez.
Chávez também chamou o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de “criminoso, mafioso e paramilitar”, e acusou-o de dirigir um “narcogoverno”. A pedido de uma participante do seu programa de rádio e televisão “Alô, presidente!”, o chefe de Estado Venezuelano ofereceu um minuto de silêncio a “Raúl Reyes”, o porta-voz internacional das Farc morto anteontem em um bombardeio do Exército colombiano em território equatoriano.
Chávez se referiu ao bombardeio como um “covarde assassinato”. O presidente venezuelano disse ainda que falou na manhã de ontem com o mandatário equatoriano, Rafael Correa, o qual teria ditado que o Equador está “mobilizando tropas para o norte.
Correa conta com a Venezuela para o que quer que seja, em qualquer circunstância”, declarou Chávez. “Não queremos guerra, mas não vamos permitir que o império nem o seu cachorro venham nos debilitar”, acrescentou, em referência aos EUA e à Colômbia, respectivamente.
Chávez, que mantém uma relação tensa com o presidente colombiano Alvaro Uribe, ordenou em novembro a retirada do seu embaixador em Bogotá, Pavel Rondón, depois da decisão de Uribe de encerrar a mediação do presidente da Venezuela com as Farc em um acordo humanitário.
O mandatário venezuelano afirmou ontem que, na Venezuela, um ato similar ao ocorrido no Equador seria considerado um ato de guerra.
Durante a operação militar colombiana contra as Farc anteontem e que resultou na morte de Raúl Reyes, Caracas garantiu que em nenhum momento houve invasão do espaço aéreo do Equador. O mais perto que os militares chegaram seria até 1.800 metros da fronteira com o Equador, marcada pelo rio Putumayo.
O presidente Álvaro Uribe, segundo o governo, teria ligado ao colega equatoriano Rafael Correa para “informar-lhe sobre a situação’’. Ainda de acordo com a informação oficial, Reyes teria sido localizado e morto logo depois que o serviço de inteligência militar interceptou uma comunicação telefônica, provavelmente por meio de um telefone por satélite.
Acuada pela ofensiva militar colombiana - batizada de Plano Patriota -, a guerrilha ocupa atualmente sobretudo regiões amazônicas nas fronteiras com Equador, Brasil e Venezuela. Há dias atrás, o ex-senador Luis Eladio Pérez disse que chegou a ser levado ao território equatoriano durante o tempo em que esteve seqüestrado e que a guerrilha se abastece de produtos brasileiros e venezuelanos.