Reinventar e evoluir o estilo musical tem tudo a ver com a banda bauruense Clarence Full Dead. Com 10 anos de carreira e depois de muito suor, os músicos conseguiram lançar seu primeiro CD produzido dentro das regularidades fonográficas e de forma independente. Não foi fácil, pois eles tiveram que aprender tudo: desde marketing e impostos até impressão da capa e distribuição. O nome do álbum, portanto, é bem propício: “Re-evolução”, que para eles, significa mais amadurecimento, mais dedicação e mais experiência aos integrantes.
A formação atual tem Felipe (vocal), Da Roça (baixo e backings), Gasão (trompete),Rafael Barbiero (saxofone e voz), Chinês (trompete), João (guitarra e backing), Nenê (bateria) e Duff (saxofone e backings). Nesses anos de estrada, os músicos testaram alguns estilos e sonoridades e encontraram sua marca: o skacore com ênfase nos metais.
Eles começaram a carreira em 1998, cantando sucessos de outras bandas de hardcore em inglês. Depois, tocaram punk rock. Em 2000, passaram cantar português e a tocar um pouco de tudo: ska, rock e hardcore, já com canções próprias.
No material de divulgação, eles mesmos definem essa “revoluçao”: quem escuta o trabalho da banda hoje, pode sentir um tom mais original e profissional, com uma boa mistura de hardcore adicionado de frases expressivas do naipe de metais. Para quem não conhece o estilo, vale lembrar das músicas dos Paralamas do Sucesso no começo da carreira. “A bateria é mais rápida e damos ênfase aos metais”, resume o integrante Gabriel Leandro, o Gasão.
Foram muitas barreiras para conseguir lançar o primeiro CD. “Não conhecíamos os meios de divulgação e nem como fazer um CD. Primeiro, conseguimos ajuda de amigos de Valinhos que tinham experiência”, conta o vocalista Felipe Estevan Ribeiro. Depois, eles foram atrás de verba. “Metade da grana foi emprestada pelo pai do Gabriel. A outra parte conseguimos de outro colega. Com a venda dos CDs, vamos pagar as dívidas”, diz. O álbum foi produzindo na Zona Franca de Manaus e a arte foi feita pelo colega Paulo, pelo integrante Felipe (vocal) e pela namorada dele, Isabel Delazari.
O encarte tem ilustrações da evolução do homem, desde o primata até o homo sapiens. Do outro lado do encarte, além das letras das 12 faixas, tem a ilustração do homem voltando a andar com quatro “patas”, em uma crítica à sociedade.
“Tudo o que o homem faz para prejudicar o planeta é uma espécie de evolução às avessas”, resume Gabriel. As letras das músicas falam sobre esses assuntos, como em “Um novo tempo”, “Coisas passadas” e “Caminhos opostos”, por exemplo.
Discos demo
Antes de “Re-evolução”, a banda lançou seu primeiro CD demo, “Softskacore Emopunkmelódico”, em 2001. Depois de várias apresentações em Bauru e região, em 2003 a banda lançou seu segundo demo, “Homem Tolo”. Em 2007, eles venceram o festival “Tardes Radioativas”, que contava com outras sete bandas concorrendo ao prêmio.
O nome da banda é resultado da junção do nome da freira do filme “Mudança de Hábito” e uma homenagem à banda Grateful Dead da década de 70.
• Serviço
O CD “Re-evolução” é vendido por R$ 10,00 e pode ser adquirido com os próprios integrantes da banda, pelos telefones (14) 3203-5073 e 3203-8251. Os músicos atualizam a agenda de shows e outras informações em seu fotolog: www.fotolog.com/clarencefulldead.
____________________
Músicas do CD
“Re-evolução” tem 12 faixas. Algumas já haviam sido lançadas nos dois CDs demo da banda, mas com roupagem nova. “Os arranjos estão diferentes e demos mais ênfase aos metais”, afirma o integrante Gabriel Leandro.
As letras falam do universo jovem, tanto do lado “bom”, quanto do “ruim” da transição da adolescência para a vida adulta. Os temas desilusão, descobertas e comportamento estão presentes no álbum. Na faixa “Liberation Party”, os músicos falam sobre a rotina dos jovens de freqüentar festas e de se divertir a noite inteira sem se preocupar. Em “Pra Quem já Teve um Amigo”, eles falam sobre o valor dos laços de amizade: “Mágoas e rancores serão muito desde que a amizade seja falsa ou tenha muitos porquês/ O verdadeiro amigo é aquele que te apoia sem saber e não só com interesse de tentar se reerguer”, diz a letra.