Tribuna do Leitor

Bauru sustentável


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Gostei muito da matéria “Mercado imobiliário se abre para a moradia sustentável”, de domingo. Além de interessantes, são boas noticias para quem está longe da cidade há 20 anos. Gostei em especial da calçada permeável. Acho que são avanços importantes da construção civil, setor da economia com altos índices de desperdício que se aproximam dos dois dígitos de porcentagem, em sua maior parte entulhos. Realmente, na construção civil são utilizados em muitos casos sistemas construtivos que não levam em consideração os processos sinérgicos importantes para uma utilização mais racional dos recursos naturais.

Porém, pelo "vocabulário básico de recursos naturais e meio ambiente do IBGE, sustentabilidade ambiental entre outras coisas..." envolve a utilização racional dos recursos naturais, sob perspectiva do longo prazo. A utilização sustentável é aquela em que os recursos naturais renováveis são usados abaixo de sua capacidade natural de reposição, e os não renováveis de forma parcimoniosa e eficiente, aumentando sua vida útil...”.

Em uma obra, além dos tópicos relatados na matéria, há muitos outros que na maioria das vezes não são tão sustentáveis assim. Verificando somente o item madeira, por exemplo, segundo os dados do IMAZON (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia) em 2004, dois terços da madeira consumida no Estado de São Paulo, o que equivale a 10% de toda a madeira processada na Amazônia legal, foi para a construção civil na forma estruturas de telhados, andaimes e formas, excetuando-se portas, janelas e móveis (em 2004 foram derrubadas mais de seis milhões de árvores na região, o equivalente a 24.500m³ de toras, destes 10.000m³ de madeira processada). Se considerarmos que grande parte desta madeira não é certificada ou, pior ainda, não é nem autorizada e muitas vezes os madeireiros utilizam-se de mão-de-obra em regime de escravidão para sua produção, percebemos que não há sustentabilidade na construção mesmo na “moradia sustentável” e sim avanços de técnicas mais ecológicas.

A palavra sustentabilidade, neste caso, pode estar sendo reduzida e utilizada para que produtos (materiais e imateriais) ganhem um “diferencial” no concorrido mercado. Este procedimento de marketing corrompe a semântica modificando o significado da palavra, confundindo assim as pessoas. Concluo: moradias com avanços tecnológicos que favorecem o meio ambiente sim; mas sustentáveis ainda não.

Henrique Tremante de Castro

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