Geral

Que tal jornada menor para a mulher?

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Após um dia exaustivo, tensionado com as cobranças do chefe e corrido com os afazeres domésticos, uma proposta pode soar interessante para grande parte das mulheres neste dia 8 de março: que tal um expediente menor de trabalho somente para elas, exploradas pela dupla jornada? Mas a idéia, aparentemente interessante, não passa de armadilha. O suposto alento figura como risco à autonomia feminina.

“Dependendo de como for a discussão, as atividades domésticas são reforçadas”, alerta a professora e pesquisadora Lilian Azevedo. Ou seja, a mulher trabalharia menos fora, mas mais em casa. Na opinião dela, a saída para o desgaste está na divisão das tarefas com marido, filhos, enfim, com quem compartilha o mesmo teto. A luta pela eqüidade de direitos e deveres, sem perda de identidade, pode começar em casa.

“Ao mesmo tempo que se reivindica isonomia, igualdade, também se reivindica identidade, que é a diferença. Homens não podem ter direitos iguais aos das mulheres, eles podem ter direitos equivalentes”, afirma o professor da Instituição Toledo de Ensino (ITE) e procurador regional da República Walter Claudius Rothemburg.

De acordo com ele, ao exigir direitos iguais, as pessoas correm o risco de anular identidades. No entanto, a discussão, sob a ótica do direito, está à frente da dura realidade, ainda marcada por desigualdades de naturezas diversas. No campo jurídico, por exemplo, a mulher é menos dona de seu próprio corpo do que o homem.

“Há limites jurídicos para a disponibilidade do corpo dela. O aborto é o exemplo. E justamente quem decide sobre o aborto são homens”, acrescenta Rothemburg, ao referir-se à maioria dos legisladores. Já quando o assunto é mercado de trabalho, os salários delas continuam inferiores aos deles. Em relação às condições do emprego, o padrão de ocupação das mulheres ainda é muito mais frágil que o observado para o tipo de contratação do trabalhador do sexo masculino.

“A mulher se fragilizou mais, inclusive para lutar por melhores salários. Muitas hoje são chefes de família, são as provedoras majoritárias ou até solitárias do lar. Isso faz com que elas tendam a abrir mão da luta por melhores salários. E ainda, para ter sucesso no mercado de trabalho, ela tem que agir como homem”, enfatiza Lilian.

De acordo com a pesquisadora, na diferenciação dos gêneros existem papéis sociais que determinam poderes. Se eles existem, não há eqüidade, embora as mulheres tenham lutado muito e continuem batalhando pelo fim da desigualdade e discriminação, em despeito a todas as dificuldades vivenciadas.

Comentários

Comentários