Habituado a conviver com desemprego, aumento de tarifas de serviços básicos, como água e luz, falta de condições ideais de transporte, assaltos e outros tantos problemas freqüentes das grandes cidades ou das grandes metrópoles, o cidadão acostumou-se a usar o conformista bordão: “Tendo saúde, do resto a gente corre atrás”. O problema é quando justamente este setor entra em colapso. Não se pode considerar como digno um sistema de saúde que obriga o usuário a acordar de madrugada, ficar horas em uma fila e mesmo assim, muitas vezes, só conseguir ser atendido por um médico quase um mês após. Depois, esse mesmo paciente, sai da consulta com uma receita que deveria ser aviada gratuitamente nas farmácias dos próprios postos públicos, mas percebe que a realidade é bem diferente.
O cidadão é obrigado a peregrinar por diversos pontos de distribuição e na maioria das vezes, sai deles apenas com a própria receita na mão. Há ainda dificuldades para agendar exames, tomar a vacina obrigatória do calendário vacinal e a corriqueira falta de ética de alguns funcionários que trabalham no setor e só aumentam o sofrimento do usuário com o descaso como o tratam. Não há desculpas - de falta de verba e médicos, atraso de empresas responsáveis pela entrega, processo de municipalização da saúde, etc., etc., - que justifiquem fazer um ser humano passar por todos estes percalços. Porém, os responsáveis sempre têm explicações na ponta da língua para cada um dos problemas levantados. O que essas autoridades precisam aprender é que o cidadão não quer justificativas, quer soluções.
João Álvares - da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado