A morte de um bebê ainda no útero de sua mãe, constatada anteontem, resultou num boletim de ocorrência por omissão de socorro contra a Maternidade Santa Isabel. O hospital, no entanto, refuta qualquer tipo de negligência.
Segundo o registro policial, no último domingo, Simone Ferreira de Lima, 34 anos, procurou a maternidade com dores abdominais. No oitavo mês de gestação, foi atendida por uma enfermeira, que ouviu o coração do nascituro. A profissional teria informado que estava tudo bem com mãe e filho, embora a gestante não tenha passado por avaliação médica.
De acordo com o marido dela, Marcelo Assis de Freitas, 36 anos, na ocasião, não havia médico na maternidade, informação contestada pela instituição. Ainda conforme registrado no boletim de ocorrência, a enfermeira teria receitado, verbalmente, Buscopan. Simone acatou a orientação e as dores diminuíram, ainda conforme relatado na delegacia.
No entanto, anteontem à tarde, ela voltou a sentir as mesmas dores e retornou ao hospital. Mais uma vez, foi atendida por uma enfermeira. Somente depois de uma hora, recebeu os cuidados de um médico já que, segundo Freitas, não havia especialistas na maternidade. A gestante foi, então, submetida a um ultra-som. O exame detectou que o bebê estava sem vida.
Protocolo
Para o pai do bebê houve negligência no atendimento, informação contestada pelo diretor clínico da maternidade, Sérgio Henrique Antonio. Ele explica que Simone procurou a instituição às 18h50 de domingo com dores no baixo ventre, mas sem sangramento e perda de líquido. Ela havia informado que era paciente particular de um obstetra, que faria uma cesariana, seguida por uma laqueadura.
Conforme o protocolo da maternidade, informa o médico, a gestante foi avaliada por uma enfermeira obstetrícia. Ela fez exame de toque, verificou a pressão arterial da grávida, avaliou os movimentos do bebê e escutou os batimentos cardíacos dele. Estava tudo dentro da normalidade. Ainda assim, explica Antonio, tentaram contato com o especialista de Simone, que não foi encontrado.
Na ocasião, Simone teria dispensado a avaliação do médico plantonista, que estava na maternidade, diz Antonio. Teria dito que procuraria seu médico, no dia seguinte, numa unidade básica de saúde. Se não conseguisse encontrá-lo, retornaria à instituição. De fato, voltou com as mesmas dores, explica o diretor clínico. Desta vez, no entanto, foi aberto um atendimento pelo Serviço Único de Saúde (SUS), já que ela teria aceitado passar por outro profissional.
“Existem dois médicos, 24 horas por dia, sete dias por semana. Eles não saem de lá”, garante Antonio. Mas nos exames de rotina, o batimento do bebê não foi ouvido. No ultra-som, a morte foi confirmada. Mesmo assim, como havia feito outras duas cesarianas, Simone foi submetida novamente à cirurgia para a retirada do bebê, enterrado ontem.