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Oposição ameaça abandonar CPI

Por Gabriela Guerreiro e Renata Giraldi | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Parlamentares da oposição ameaçam abandonar a CPI mista (com deputados e senadores) dos Cartões Corporativos se integrantes da base aliada do governo insistirem em blindar a Presidência da República nas investigações.

A oposição está irritada com o comportamento dos governistas que, além de terem conseguido evitar a convocação imediata de ministros acusados de irregualidades no uso dos cartões corporativos, também estariam trabalhando para evitar a quebra do sigilo dos cartões da presidência.

“Acho que a oposição deve decidir nesta semana se fica na CPI. A estratégia do governo é escamotear as investigações. Temos que analisar se vamos nos afastar. Não podemos mais acreditar em papai noel, os governistas vão adotar todo o tipo de manobra protelatória”, disse o vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) reconheceu que a folgada maioria de governistas na CPI poderá trazer prejuízos às investigações. Assim como Dias, o democrata não descarta deixar a comissão caso a oposição não avance na apuração das irregularidades.

“É uma pizza requentadíssima. O governo quer esvaziar completamente a CPI, tem maioria sólida de pessoas que estão na comissão mais para fazer barulho do que para investigar”, disse Demóstenes.

Dias criticou o cronograma apresentado pelo relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que prevê as investigações sobre as recentes irregularidades no uso dos cartões corporativos somente na segunda etapa de trabalhos.

“Isso é uma estratégia protelatória. A estratégia é escamotear as investigações. Tem os que acham que sair da CPI é fugir do debate, mas temos responsabilidade de produzir'', afirmou. Legítimo Vice-líder do PMDB no Senado e integrante da CPI, Almeida Lima (SE), negou que o governo esteja manobrando para privilegiar integrantes e ex-integrantes nas investigações. Mas, segundo ele, a reação da oposição em ameaçar o abandono da comissão é um "direito legítimo''.

Porém, o peemedebista afirmou que os oposicionistas devem ter cuidado para não exceder nas suas reações. “A oposição não tem direito é de agir fora do regimento nem de agridir. Isso, não. Quer reclamar? Ameaçar? Pode. Uma coisa é certa: o governo para se sustentar tem de ter maioria no Parlamento, é o nosso caso'', afirmou Almeida Lima. Para o peemedebista, é perfeitamente aceitável também que a base aliada que apóia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva siga as recomendações do Palácio do Planalto.

“O fato de o governo orientar a ação parlamentar é legítima”, disse ele. “Por vezes, o que resta à oposição é resignar-se”, reagiu o senador.

Cronograma

No cronograma de trabalhos, a CPI priorizou na primeira etapa das investigações os depoimentos dos ministros da CGU (Controladoria Geral da União), Jorge Hage, e do Planejamento, Paulo Bernardo. O objetivo do relator é ouvir dos ministros as informações referentes ao uso dos cartões na administração federal.

Na semana que vem, a CPI também ouvirá o depoimento do ex-ministro do Orçamento Paulo Paiva, que ocupou o cargo no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Depois dos primeiros 20 dias de investigações é que a CPI pretende ouvir os ministros Orlando Silva (Esportes), Altemir Gregolin (Pesca) e a ex-ministra Matilde Rieiro (Igualdade Racial) - suspeitos de usar irregularmente o cartão.

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