Os resultados do Saresp/2007 (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) acabam de ser divulgados, e com ele veio a constatação do que temos presenciado ao longo dos anos como educadora. Há que se apontar o lado positivo desse sistema de avaliação que eficazmente aponta os desvios da educação para que possamos corrigir os rumos, traçar novas metas, investir em políticas públicas de formação inicial e continuada dos professores e propor novas metodologias, para que os nossos educandos da rede pública possam ter seus direitos fundamentais garantidos e para que saiam dela com ferramentas necessárias para exercer a sua cidadania, alcançar sua autonomia intelectual e moral e ainda baseado numa educação libertadora, poder transformar os rumos deste país, onde ocorrem tantas injustiças e exclusões sociais.
Todavia, o fato dos nossos alunos terem alcançado péssimo desempenho em matemática não nos causa nenhuma surpresa, pois a prática nos tem demonstrado, as dificuldades enfrentadas por alunos e professores para lidar com os conceitos matemáticos. Mas analisando mais atentamente, observamos que as crianças chegam à escola normalmente gostando da matemática. No entanto, esse gosto vai decrescendo à medida que se avança nos ciclos e no lugar vão surgindo uma aversão, apatia e incapacidade diante da área. O curioso é que esses alunos, principalmente os das camadas populares, já trazem para a escola conhecimentos prévios, fruto de suas práticas sociais e acabam perdendo o significado dessas atividades na sala de aula. Obviamente, temos que encontrar o que é obstaculizante no ensino da matemática. Sabemos que hoje o conhecimento matemático não se consolida como um rol de idéias prontas a serem memorizadas, principalmente nas séries iniciais do Ensino Fundamental, que são o alicerce, o concreto, a base de toda a educação formal. É preciso focar-se na metodologia ou seja no “como se ensina” e como “os alunos aprendem”. Por essa razão, deve-se concentrar a ação na situação de ensino e aprendizagem, na contextualização ou seja nas situações vivenciadas pelos alunos fora da escola, na historicização, mostrando ao aluno a matemática como processo de construção ou como um todo orgânico e flexível, mas rigorosamente articulado, no enredamento entendido como a organização das idéias matemáticas em articulação com as diversas áreas do conhecimento, posto que elas não surgem do nada.
Mas, a meu ver, a mais importante implicação teórico-metodológica seja a compreensão do educador como mediador, facilitador, orientador do processo de construção do conhecimento, criando situações-problema para exercitar a capacidade de pensar do aluno. Não se aprende matemática apenas mediante exercícios repetitivos, algoritmos e nem simplesmente por ouvir falar. É preciso operar com materiais concretos, jogos, brincadeiras, músicas, artes, literatura para, pelo menos, não se distanciar tanto do mundo fora dos muros da escola. Em suma, e preciso tornar a aprendizagem significativa e ainda extrair alegria do obrigatório.
A autora, Leda Fernandes Michellão, é pedagoga