Estamos comemorando este ano o centenário da imigração japonesa no Brasil, o país mais japonês depois do Japão. São cerca de 1,5 milhão de pessoas, das quais dois terços deles vivem no Estado de São Paulo.
Para recordar essa tradicional história de lutas e conquistas, vamos citar o poeta modernista Menotti Del Picchia, que escreveu que a dor, na terra da gente, dói menos. Talvez isto também pensavam os pais, irmãos e filhos daqueles que partiram do Porto de Kobe, no Japão, rumo ao Brasil. Eles viram seus familiares se afastarem no navio Kasato Maru e muitos deles jamais encontraram-se de novo. Foram 52 dias de viagem e aqui chegaram os primeiros 793 imigrantes japoneses, ao Porto de Santos, em junho de 1908. Em sua bagagem, esse pessoal trazia pouca coisa. Além de uma enorme capacidade de trabalho, muita confiança no futuro. Sei muito bem o que isso significa, pois também sou um imigrante libanês por opção, que adotou essa terra acolhedora e abençoada.
As primeiras 165 famílias japonesas vieram para o Brasil trabalhar nos cafezais do oeste paulista. Ali trabalharam e venceram pela sua pertinácia. Atualmente, temos representantes da colônia japonesa em todos os segmentos, como no comércio, na indústria, na educação, na agricultura, nos esportes, nas artes, na saúde e na política.
É importante ter presente que não se trata, com essa manifestação, apenas celebrar os 100 anos da imigração japonesa no Brasil; de evocar memórias, revigorar lembranças e comemorar incontáveis conquistas. Mas, também, de recuperar tradições. E, seguindo o exemplo do Japão, fazer delas uma ferramenta na construção do presente e do futuro. Temos que prestar uma justa homenagem a este povo trabalhador, que tanto contribuiu e ainda é tão importante para o desenvolvimento do nosso Estado e do nosso Brasil. Parabéns colônia japonesa e seus descendentes!
O autor, Pedro Tobias, é médico e deputado estadual pelo PSDB