O secretário de do Estado Saúde de São Paulo, Luiz Roberto Barradas Barata, afirmou ontem, durante o 22o Congresso de Secretário Municipais de Saúde do Estado de São Paulo, realizado em Bauru, que o governo decidiu intensificar o combate ao mosquito da dengue, tendo em vista a situação crítica do Rio de Janeiro.
De acordo com Barradas, a situação do Estado vizinho preocupa muito, principalmente porque o trânsito de pessoas entre os dois Estados é muito grande e isso pode causar problemas para as cidades paulistas. Neste ano, a dengue já matou 54 pessoas no estado do Rio, mas não houve vítimas em São Paulo. No Rio, foram notificados 45.523 casos e, em São Paulo, 919. Em Bauru, são 54 casos neste ano.
Por conta do problema do Rio, Barradas afirmou que a Secretaria de Saúde vai promover o Dia D contra a dengue, além de uma semana inteira de atividades em todos os municípios paulistas, alertando novamente a população. “No ano passado fizemos um trabalho desse tipo e conseguimos reduzir muito o número de casos de dengue no nosso Estado. Porém, se descuidarmos, o mosquito, que é nosso inimigo, que é um bichinho ardiloso, ele vai voltar e nós podemos ter o aumento de casos de dengue no estado de São Paulo”, frisou.
Por isso o secretário alertou que a população precisa continuar fazendo sua parte, para evitar que o mosquito faça vítimas no Estado. “E nós da Secretaria Estadual de Saúde e as secretarias municipais vão estar, a partir da próxima semana, conclamando a população para continuar nessa luta”, disse.
O maior preocupação com relação ao Rio de Janeiro é o fato de muitos paulistas estarem no Estado vizinho, e se, essas pessoas contraírem a doença por lá, pode dificultar o combate. “Doente importado vem com vírus novo e pode trazer aquela dengue que infecta mais as nossas crianças, por isso vamos fazer essa intensificação no combate à doença. Vamos lembrar aos municípios e às pessoas que esse combate é diuturno e tem que ser para sempre”, salientou.
Em Bauru, a situação também está sob controle, se comparado com os números do ano passado. Em 2007, até o final de março foram registrados 163 casos autóctones, ou seja, contraídos na própria cidade, 32 importados (infecção ocorreu em outras localidades) e dois em trânsito. Este ano são 54 casos da doença, sendo 49 autóctones, quatro importados e um em trânsito. O secretário municipal de Saúde de Bauru, Mário Ramos, afirmou que a situação está sob controle e espera não ter problemas por causa da epidemia do Rio de Janeiro.
Congresso
No Congresso dos Secretários Municipais de Saúde do estado de São Paulo, Barradas Barata discutiu o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS). O secretário defendeu uma ação mais efetiva dos secretários e profissionais da Saúde para pressionar o Congresso Nacional a regulamentar a Emenda Constitucional 29, que destina um percentual mínimo do Produto Interno Bruto (PIB) especificamente para a Saúde.
Barradas defendeu que haja a pressão, mas não foi tão otimista, já que, segundo ele mesmo lembrou, há pouco tempo havia dois médicos à frente do Congresso -, o senador Tião Viana (PT-AC) era presidente do Senado, e o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) foi presidente da Câmara. “Com três forças como o Tião Viana, meu amigo, médico sanitarista, o Arlindo Chinaglia, com quem tirei plantão, e o ministro José Gomes Temporão, que é meu amigo, nós não conseguimos regulamentar, para se ter uma idéia da dificuldade em lidar com o Congresso, mas não podemos deixar de brigar por essa regulamentação, que é fundamental”, frisou.
Além de discutir a emenda 29, Barradas salientou que o País precisa de novas fontes sustentáveis para financiar o SUS, de acordo com as necessidades e possibilidades do País. “Só dessa forma teremos um SUS para todos, sem excluir e sem priorizar ninguém, mas para todos”, ressaltou.