Tribuna do Leitor

Um adeus a Alexandre Quaggio


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Nascido há quase um século nesta cidade de Bauru, Alexandre Quaggio se fez através da tradição cultural herdada de seus pais, imigrantes italianos, que lhe transmitiram ensinamentos indispensáveis para sua formação, os quais lhe permitiram uma existência reta e digna. Sempre norteado pelo trabalho honesto, aprendeu a lidar com a terra, exerceu a profissão de marceneiro, até chegar ao conhecimento de mecânica. E é neste último ofício que caminhou por longos anos, acompanhando o crescimento de Bauru e oferecendo à população um serviço de transporte coletivo dos mais eficazes.

Pioneiro na história do Transporte Coletivo de Bauru, ele abriu novas dimensões, aventurou-se, experimentou, ousou e alcançou, a cada dia, novos caminhos para oferecer a todos, sem distinção, o acesso a distâncias cada vez mais longínquas e, assim, fomentar o desenvolvimento e o progresso de nossa cidade. No passado, não foram poucas as vezes em que teve de se privar do convívio familiar para socorrer os ônibus que atolavam nas íngremes ruas de uma Bauru remota. Ou, então, para solucionar algum problema de ordem mecânica. A prioridade de sua empresa sempre foi a de servir a comunidade bauruense com presteza e eficiência.

O longo período que a ECCB atuou em Bauru foi trilhado por grandes adversidades e momentos difíceis. Mas nada disso impediu que Alexandre Quaggio lutasse bravamente em busca de seus direitos e ideais. Pelo contrário. Foi um estímulo adicional para que transpusesse e superasse todos os obstáculos que pudessem surgir. Jamais se deixou vencer pela fraqueza ou desânimo, mesmo diante das situações mais opressivas que se descortinaram em sua trajetória empresarial.

O perfil deste empresário, caracterizado por sua personalidade marcante, esteve isento de convenções hipócritas porque usava da veracidade na palavra empenhada e total lisura na execução de suas responsabilidades.

Foi também um grande empresário de si mesmo. O passageiro de uma longa existência. O cobrador inexorável no cumprimento fiel de suas obrigações. Usuário da autocrítica que, percebendo alguma mudança no itinerário de sua esfera pessoal, estabelecia um “recolhe” para efetuar reformas íntimas na laboriosa oficina da vida. Fez de sua existência uma verdadeira empresa voltada ao benefício coletivo. Transitou pelos caminhos da vida realizando todo o bem que lhe foi possível.

Sempre guiado pelo sentimento de solidariedade, manteve em seu coração um elo de comunicação entre o Criador e o mundo por ele criado. Trafegou sua alma por caminhos afora, acolhendo a todos que acenaram em busca de um amparo amigo. Seu espírito sensível permitiu-lhe descobrir a nobreza dos ideais altruístas e polarizá-los em sua própria vida, sentindo o mundo ao redor de si e participando de modo real e efetivo na resolução dos problemas, nas angústias e aflições daqueles que o cercaram.

Em todos os pontos cardeais desta cidade, encontrar-se-á sempre algum bauruense que tenha recebido um gesto cristão de Alexandre. Sua alma nobre sempre o levou a feitos edificantes para com o próximo. Uma de suas peculiaridades era alegrar-se com a felicidade alheia. Viveu com intensidade a máxima: “Deus se fez homem para que os homens participassem da sua grandeza divina”. Em sua longa viagem terrena, sempre cultivou uma consciência cristã, o que lhe permitiu ver, entender, respeitar e auxiliar. Este foi o grande segredo de sua paz interior, da sua felicidade e da plena realização de sua dignidade humana.

Alexandre deixa a vida com vitória absoluta porque, em todos esses anos vividos, a sua estrutura religiosa aliada à convicção de sua fé foram se solidificando lentamente no cumprimento fiel do dever de cada dia e criando valores que transcenderaõ e permanecerão mesmo após sua morte. As páginas em que Bauru escreve a história de Alexandre Quaggio jamais serão apagadas e, ao partir, deixa para seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos um grande legado: a centenária tradição Quaggio.

Gesiara Monteiro Branco - RG 7.893.903

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