Bairros

A importância do voluntariado

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 5 min

Em geral anônimos, os voluntários têm ampliado sua participação em atividades sociais nos diversos bairros de Bauru. Estimulados pela profissionalização das ações assistenciais no município e pelo contexto favorável à atividade, eles hoje são estimados na cidade em cerca de 5 mil pela Associação das Entidades Assistenciais e de Promoção Social (Aeaps).

E esse voluntariado têm em comum o espírito de solidariedade e a vontade de ajudar o próximo. Características mais do que necessárias, quando se avalia a tarefa grandiosa, em todos os sentidos, que têm pela frente: auxiliar as 55 mil pessoas socialmente vulneráveis que moram em Bauru.

Para atender essa demanda, que representa 15% da população atual da cidade, eles se dividem em diversas atuações: esportiva, cultural, assistencial, de formação para geração de renda, entre outros. A tentativa é minimizar as precárias condições em que essas pessoas vivem e dispõem, como no setor de lazer, já que a cidade não possui um número suficiente de centro esportivos e os existem estão em sua maioria sem condições de uso, caso dos estádios distritais.

Os projetos de lazer contemplam apenas uma pequena parte da população, já o restante depende de ações como do advogado José Eduardo Favarelli, que criou um projeto onde cerca de 90 crianças e adolescentes com idade entre 8 e 17 anos participam com o apoio da iniciativa privada.

Já o Centro Espirita Amor e Caridade (Ceac) oferece diversos tipos de serviços para aproximadamente 22 mil pessoas por ano em seus centros de atendimento, localizados nos bairros mais pobres da cidade. Além desse serviço, os voluntários ligados à instituição também tentam diminuir as dificuldades enfrentadas pela população mais carente em outros 34 pontos.

A Aeaps de Bauru também atende quase 11 mil pessoas diariamente. Mesmo recebendo verbas municipais, estaduais e federais, a instituição depende muito da ajuda voluntária das pessoas e de empresas privadas. De acordo com o vice presidente da entidade, José Carlos Augusto Fernandes, sem as centenas de voluntários que trabalham nas entidades, elas simplesmente não teriam condições de sequer existir.

Mas os voluntários também podem ser encontrados nas igrejas, nos bairros e comunidades, nos grupos de auto-ajuda e nos clubes, nas associações culturais e esportivas, nas instituições sociais e nas empresas.

No Brasil, a idéia do voluntariado existe desde do início da sua história, quando em 1543 foi fundada em Santos a Santa Casa de Misericórdia, primeiro núcleo de trabalho voluntário no Brasil. No século 20, diversas entidades como a Cruz Vermelha, a Legião Brasileira de Assistência (LBA) e Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) surgiram, mas foi na década de 90 que o voluntariado se fortaleceu.

Em 1993, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, criou a Ação da Cidadania Contra a Fome e a Miséria e pela Vida e organizou a sociedade com o objetivo de combater a fome. Dois anos mais tarde, o Conselho da Comunidade Solidária passou a incentivar a participação da sociedade civil em projetos sociais. Em 1997, foram criados os primeiros centros de voluntariado no Brasil.

Mas só em 1998 foi promulgada a Lei do Voluntariado – a de número 9.608, que dispõe sobre as condições do exercício do serviço voluntário e estabelece um termo de adesão. Atualmente acredita-se que 25% da população brasileira participe de algum projeto voluntário ou faça algum tipo de serviço em prol do próximo. Em números, isso quer dizer que dos 183,9 milhões de pessoas que vivem no Brasil, segundo dados do Censo 2007, quase 50 milhões de pessoas faz algum tipo de trabalho voluntário.

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O que diz a lei

A atividade voluntária foi oficializada a partir de duas leis. A primeira, criada no Brasil em 1985, pelo então presidente José Sarney, instituiu o Dia Nacional do Voluntariado. De acordo com a lei número 7.353, a data deve ser comemorada todo dia 28 de agosto.

A segunda legislação é de 1998, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou o texto que regularizou o trabalho voluntário no País e a partir daí o movimento voluntário ganhou força no País.

De acordo com o texto da lei, o trabalho voluntário se caracteriza por uma atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou pela instituição privada de fins não lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive de mutualidade.

A lei estabeleceu, ainda, que o trabalho voluntário fosse previsto em contrato escrito - o chamado Termo de Adesão -, que destaca a não-existência de vínculo trabalhista no serviço voluntário. Em Bauru, apenas no Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) os voluntários assinam esse termo. Já as outras entidades consultadas ainda estudam a formação desse tipo de cadastro.

Outras datas também comemoram o trabalho voluntário. Em Bauru, a lei número 4.768 institui o dia 17 de dezembro para ser comemorado o Dia Municipal do Voluntariado. O projeto, de autoria do vereador João Parreira, foi aprovado pela Câmara Municipal em 17 de dezembro de 2001. No mundo, o dia 5 de dezembro é dedicado ao trabalho voluntário.

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Empresas já valorizam trabalho voluntário na hora de contratar

Respeito, solidariedade e responsabilidade são alguns valores atribuídos a quem participa de algum trabalho voluntário. De olho nesses profissionais cada vez mais completos, algumas empresas têm prestado atenção especial a candidatos que já tenham participado de algum trabalho ligado terceiro setor. Em um processo de seleção, um candidato inexperiente que tenha trabalhado em projetos sociais, sem salário, pode ter mais chances de ser efetivado.

A importância do voluntariado já é forte nos currículos de profissionais que vivem nos grandes centros, mas que para o mercado no Interior ainda é uma tendência. Além disso, a importância dada ao trabalho voluntário realizado por um candidato a emprego varia de acordo com a cultura da empresa.

E algumas já avaliam esses valores positivamente. Em Bauru, de acordo com Natália Rodeguero, analista de recursos humanos, o voluntariado é considerado na análise dos currículos, principalmente quando agrega experiência profissional ao candidato, quando não, também é avaliado de forma positiva.

“Percebemos que atualmente existe uma consciência e uma maior preocupação com os aspectos sociais tanto por parte de pessoas que se encontram disponíveis para a absorção no mercado quanto por parte das próprias empresas, que têm gerado grupos de trabalhos com voluntários, para assistência e participação em diversos projetos de responsabilidade social”, completa.

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