Paris - A presidente argentina, Cristina Kirchner, a primeira-dama da França, Carla Bruni-Sarkozy, e o chanceler francês, Bernard Kouchner, lideraram ontem marcha em Paris pela libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt, refém das Farc há mais de seis anos.
Segundo a polícia, o ato reuniu 5 mil pessoas, muitas de branco. Houve passeatas em outras 14 cidades francesas, no momento em que cresce a comoção pelo estado de saúde delicado da seqüestrada e são baixas as expectativas de que a missão humanitária enviada pela França à Colômbia na semana passada tenha resultado.
As gestões incluíram o envio de um avião médico a Bogotá para atender Ingrid, mas têm provocado críticas na Colômbia por terem ocorrido sem uma negociação prévia com as Farc. “Não vamos parar essa missão’’, disse o chanceler francês, Bernard Kouchner.
Ontem, um texto da Agência Bolivariana de Prensa (ABP), ligada às Farc, criticou a missão francesa. Diz que mais do que pedidos unilaterais, Paris deveria fazer pressão sobre Bogotá, para que aceite as condições da guerrilha para a troca de reféns “políticos’’ por guerrilheiros presos. As Farc querem a desmilitarização de dois municípios.
A presidente argentina, Cristina Kirchner, que chegou à França ontem e hoje terá reunião com o colega Nicolas Sarkozy, disse que os “direitos humanos devem estar acima de tudo’’ e cobrou compreensão do governo colombiano.
Os atos acontecem em meio a novas informações sobre o estado de saúde de Betancourt, divulgados anteontem pela Promotoria da Colômbia, a partir do depoimento do guerrilheiro Elver Uriel Rodriguez, preso no dia 29 de março, perto de Bogotá.
De acordo com Rodriguez, que diz ser médico e ter atuado na frente 44 da guerrilha, Betancourt apresenta quadro de desnutrição, gastrite crônica e dois tipos de malária. Além disso, ela estaria com parte do intestino grosso irritado, dor aguda abdominal e hepatomegalia (aumento do volume do fígado).
Nos depoimentos, o guerrilheiro não informou quando nem onde encontrou a ex-candidata. Ele garantiu que prestou atendimento médico à Betancourt. Rodriguez é acusado pelo governo da Colômbia de criar um centro médico nas montanhas do centro colombiano, para atender os líderes guerrilheiros e praticar abortos nas rebeldes.