Há uma semana em queda-de-braço com a Prefeitura de Bauru por reajuste salarial, recebimento de vale-compra e outros benefícios, um grupo de agentes de controle de endemias tomou a galeria de Câmara Municipal na sessão de ontem para pedir apoio dos parlamentares.
Os servidores empunharam cartazes para pressionar os vereadores, citando frases como “Bauru morre de dengue e os agentes morrem de fome”, “não queremos esmola, queremos o que é nosso por direito” e “vereador, queremos trabalhar com dignidade; de qual lado vocês estão”.
Após o intervalo regimental, o presidente da Casa de Leis, Paulo Madureira (PP), anunciou que todos os vereadores assinariam uma moção endereçada ao prefeito Tuga Angerami defendendo a reivindicação dos agentes. A principal delas é que pretendem receber de salário o piso nacional da categoria, que é de R$ 687,22. Hoje o contra-cheque dos funcionários é de R$ 415,00.
Nos discursos proferidos na Câmara, os vereadores posicionaram-se favoravelmente ao grupo. Primo Mangialardo (PV) e Benedito da Silva (PSDB) defenderam que os servidores recebam o salário de acordo com o piso nacional. O primeiro também declarou que a greve era um movimento responsável, por manter no trabalho 30% dos funcionários.
Antonio Faria Neto (PDT) disse que foi procurado pelos servidores em seu gabinete e que, após uma pesquisa, verificou que há cidades onde o subsídio dos funcionários que trabalham no combate à dengue é mais alto. Num discurso inflamado, defendeu os grevistas e afirmou que trabalham bem e ganham mal.
Rodrigo Agostinho (PMDB) preferiu cobrar o governo federal. Segundo ele, os municípios repassam muitos recursos financeiros à União, mas a contrapartida não é proporcional, o que faz com que as cidades encontrem dificuldades na execução dos projetos.
A administração municipal parece não estar disposta a negociar com os grevistas. Tanto que deu entrada na sessão de ontem projeto de lei do Executivo que concede reajuste salarial de R$ 50,00 e acréscimo de 5,43% a partir de 1º de março de 2008 aos servidores públicos municipais (ativos e inativos) e pensionistas, estendendo o reajuste também ao prefeito, ao vice-prefeito e aos secretários.