Polícia

Onda de roubo a postos alerta PM

Por Marcelo de Souza | Colaborou Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

A onda de assaltos a postos de combustíveis em Bauru acendeu a luz amarela na Polícia Militar (PM). Na noite de anteontem e madrugada de ontem, dois estabelecimentos foram roubados. No mês passado, o dono de um posto foi baleado durante assalto. Preocupada com a freqüência dessas ocorrências, a PM resolveu agir de forma preventiva e chamou donos de postos e frentistas para uma reunião, que será realizada na Base Comunitária Sul, na quarta-feira, às 20h.

O objetivo é evitar assaltos como o sofrido pelo frentista Ângelo Gabriel Rizzo Alves, que no ano passado foi roubado e ainda teve que encher o tanque do carro dos criminosos. A intenção da PM é dar orientações de segurança para esses profissionais. “A idéia é orientá-los a fim de evitar esses delitos e, caso eles ocorram, qual a postura que eles devem tomar, como não reagir, adotando as posturas corretas”, explicou o tenente Willian Carlos Padovini, comandante da Base Sul.

A PM não dispõe de levantamento dos assaltos a postos de combustíveis na cidade neste ano porque as ocorrências entram na estatística de roubos em geral. Mas praticamente todas as noites tem sido registrado pelo menos um assalto a este tipo de estabelecimento. Entre anteontem à noite e a madrugada de ontem, foram dois. O primeiro aconteceu na rua Alto Acre, na Bela Vista. Dois homens armados ocupando uma moto entraram no posto e levaram o dinheiro do caixa. A quantia roubada não foi informada.

O segundo assalto aconteceu na quadra 14 da avenida Marcos de Paula Raphael, no Mary Dota. Um homem a pé, armado de revólver, levou R$ 40,00 do caixa, mais R$ 80,00 de um cliente que estava no local. Segundo a PM ele usava capacete, o que poderia indicar que o assaltante estava em uma moto.

Alves conhece a situação enfrentada pelo colega. No ano passado ele estava atendendo em um estabelecimento localizado na quadra 30 da avenida Rodrigues Alves quando três motocicletas, com duas pessoas cada, chegaram ao posto. “De repente, um deles falou que era um assalto e pediu para eu passar todo o dinheiro”, conta.

Ele revela que não levou a sério, mas quando o rapaz mostrou um revólver que trazia na cintura, teve que ceder. “Ele pegou o dinheiro que estava no bolso da frente e foi até a loja de conveniência, onde roubou maços de cigarro”, conta. Diego Rossetto, que trabalha com Alves, conta que os assaltantes ainda o obrigaram a encher o tanque dos três veículos, antes de todos fugirem.

Os frentistas contam que a quantia roubada não foi muita, pois eles são orientados a ficar somente com dinheiro destinado a troco nos bolsos. O restante é depositado no cofre e eles não possuem a senha do dispositivo. Além disso, o estabelecimento conta com sistema de segurança interno, com câmeras. “Mas apesar dos estabelecimentos terem acordo para que todos os motociclistas tirem o capacete na hora de abastecer, muito só sobem a viseira, ou levantam um pouquinho o capacete”, lamenta o frentista.

Para o tenente Padovini, é importante que os donos de postos se reúnam com a PM para que possam auxiliar na solução desses e de outros crimes que vêm ocorrendo nesses estabelecimentos. “A idéia é que eles nos passem informações sobre as características dessas pessoas, o modus operandi, como esses crimes têm ocorrido, que abordagem eles usam com as vítimas. Tudo isso vai ajudar a polícia a traçar estratégias para tentar evitar que outros delitos venham ocorrer”, frisou.

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Identificação

Um dos focos da PM, que será abordado na reunião com os donos de postos de combustíveis, é o fato de as vítimas não conseguirem fazer uma identificação precisa dos assaltantes, nem mesmo dar informações aos policiais que possam levar a quem cometeu o delito.

“As vítimas em geral têm o que a gente chama de visão em túnel. Ela não consegue enxergar as coisas ao seu redor, anotar as características das pessoas, as roupas que estão usando, o tipo de moto, a placa. Então, a gente vai orientar a tentar manter a calma, fazer movimentos lento e observar esses detalhes”, destacou o tenente Willian Padovani.

De acordo com Padovini, outra dificuldade é o fato dos frentistas ficarem expostos e, por isso, terem medo de identificarem os assaltantes e sofrerem represálias posteriormente.

Diante dessas dificuldades, a intenção da PM é orientar os frentistas e properietários, a manter pouco dinheiro no caixa, no bolso do frentista, criando situações para inviabilizar o roubo desses estabelecimentos.

Padovini alertou que os postos são alvos preferenciais, justamente por causa do giro de dinheiro em notas baixas, o que dificulta o rastreamento do valor roubado.

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