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Hábito saudável


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Os índios guarani eram numerosos antes da chegada dos europeus à América do Sul. Milhões deles ocupavam terras principalmente na Região Sul do continente. Face à sua marcante presença onde hoje é o Paraguai, sua língua tornou-se oficial nesse País, junto com o espanhol. A plantação e consumo de chá de erva-mate constituíram-se em uma das suas mais marcantes tradições. Tal prática fez disseminar o chimarrão como marca cultural em diversos estados brasileiros.

Infelizmente, há poucas obras que relatam o estilo de vida dos guarani. O trabalho do sociólogo Bertoni é um dos únicos que registra com mais profundidade os valores desse povo. No final do século XIX, ele fez um registro importante. Identificou uma planta usada pelos índios para adoçar a erva-mate, que tanto consumiam, e outras bebidas, inclusive com poder medicinal. O produto era extraído das folhas da estévia, originária de onde hoje está o Paraguai e o Estado do Mato Grosso do Sul.

Pois bem, esse edulcorante (adoçante) natural, utilizado há séculos pelos índios guarani, tem poder de adoçar 30 vezes superior à sacarose (açúcar de origem da cana e da beterraba). O produto não é calórico. Além disso, tem a capacidade de aumentar a tolerância à glicose e baixar os níveis de açúcar no sangue. É, por fim, um ótimo produto para os diabéticos, obesos, gestantes, idosos e aqueles que procuram vida mais saudável.

Um mousse de chocolate e laranja, por exemplo, tem 71 calorias em uma porção feita à base de estévia pura. Na receita convencional, a mesma medida possui 144 calorias. Uma porção de pudim de leite, apenas com adição do produto utilizado pelos guarani, tem 78 calorias. Utilizando o açúcar refinado na mesma porção, o índice sobe para 138 calorias.

No Brasil, o adoçante puro de estévia é comercializado livremente. Seu consumo vem aumentando gradativamente no País e no mundo. Há um intenso trabalho de pesquisa em desenvolvimento para tornar a estévia um produto de consumo em larga escala e de sabor cada vez mais igual ao açúcar refinado.

No Brasil, diversas hábitos alimentares indígenas foram incorporados à cultura nacional. O uso de estévia em bebidas e doces já é uma realidade há décadas.

Resta essa fórmula de adoçar tornar-se também um produto de uso comum na sociedade, assim como a mandioca e o palmito, apenas para citar dois elementos introduzidos fortemente pelos índios nos hábitos alimentares dos brasileiros.

A autora, Helena Meneguetti Hizo, é diretora de Pesquisa e Desenvolvimento

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