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Equilíbrio: essencial em todas as idades

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Existe uma idade ideal para presentear uma criança com um brinquedo eletrônico? Para o psicólogo de família Ulisses Herrera Chaves, não. “Não existe uma regra para isso. Tudo vai depender de cada família, de como esses brinquedos são utilizados.” Na opinião dele, o excesso deve ser evitado sempre. Seja na quantidade de eletrônicos oferecidos às crianças ou no tempo que elas passam em contato com esses brinquedos. “É tudo uma questão de equilíbrio”, diz Chaves.

Equilíbrio é a palavra-chave adotada também pela pedagoga Maria do Carmo Kobayashi. “O objeto (brinquedo) em si não é bom nem mau. Tudo depende do uso”, afirma. E Chaves completa: “O problema sempre surge do excesso”.

Atualmente, os brinquedos eletrônicos que mais têm provocado dependência em crianças e adolescentes (por que não também em adultos?) são os videogames. A pedagoga diz que o descontrole chegou a tal ponto que a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) passou a oferecer terapia para dependentes de videogames. “Chegou-se ao extremo de pessoas morrerem na frente de um computador. Elas ficaram três dias sem comer”, lembra ela.

Reunidos em um congresso de games na Holanda, em 2003, cientistas disseram que o videogame vicia tanto quanto as drogas. Há evidências de que os jogos estimulam as mesmas áreas do cérebro atingidas pelo álcool e por outras drogas. Porém, ao contrário do que acontece com as substâncias viciantes, ainda não existe medicamento para tratar o comportamento compulsivo de um jogador. Segundo os profissionais, a metade dos jogadores tem problemas amorosos ou familiares por causa do hábito.

O risco do isolamento é apontado por Chaves como um dos mais nocivos entre os riscos que correm os viciados em games. “A pessoa não consegue ficar longe e isso traz prejuízos para a saúde e para as relações sociais porque ela se fecha em seu próprio mundo”, aponta.

Para evitar que isso ocorra, o psicólogo fala que é importante os pais ficarem atentos. Quando eles perceberem que a brincadeira dos filhos está prejudicando a vida escolar ou social, alguma coisa precisa ser feita. “A criança sempre vai buscar o que lhe dá prazer. Se os pais não impõem limites, os filhos vão preferir jogar videogame a fazer a tarefa”, pondera.

De acordo com Maria do Carmo, o mais correto nessa hora não é proibir que o filho continue jogando, mas tentar fazer com que ele entenda que o abuso faz mal. E isso para qualquer brinquedo, não só videogame.

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