De repente, cadeiras começaram a tremer, cortinas a balançar e uma sensação de tontura atingiu muitos bauruenses na noite de ontem. Um terremoto que atingiu 5,2 na escala Richter, com epicentro a 270 quilômetros da costa, no Oceano Atlântico, foi sentido na cidade pouco depois das 21h. Moradores do Jardim Planalto, Jardim Contorno, Jardim Panorama e Vila Universitária perceberam o abalo sísmico. De acordo com a Coordenadoria Adjunta da Defesa Civil do Estado em Bauru, um tremor não era sentido na cidade desde a década de 80.
Eupídio Cristiano Lima, 70 anos, conta que estava assistindo televisão em seu apartamento, em frente à Praça da Paz, no Jardim Panorama, quando sentiu uma espécie de tontura. Achando que pudesse estar passando mal, pensou em ligar para a filha. “Mas eu percebi que a cadeira tremeu e vi que a cortina estava balançando, então pensei que o prédio tivesse tremido. Liguei para o porteiro e ele confirmou”, conta.
Lima telefonou para a casa da filha que, assim como ele mora num prédio localizado na Praça da Paz, e seu genro confirmou que também sentiu o abalo sísmico. “Então fui checar na Internet o que tinha acontecido e vi que o terremoto atingiu muitos lugares”, conta. “Foi a primeira vez que eu senti um terremoto e não quero mais passar por outra experiência dessas”, disse.
No Jardim Contorno, a jornalista Érika Dios também percebeu o tremor. Ela estava lendo na sala de seu apartamento quando sentiu o reflexo do abalo sísmico que atingiu boa parte do Estado. “Foi uma sensação muito sutil. Você não está se mexendo, mas sente o movimento do prédio”, conta.
Essa não foi o primeiro terremoto da jornalista. Há cerca de sete anos, quando morava em Araraquara, sentiu um tremor bastante parecido, reflexo de um abalo ocorrido no Chile. “Hoje (ontem), como a sensação foi a mesma, tive a certeza que era um tremor de terra”, explicou.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, 15 pessoas telefonaram à central de atendimento em Bauru, solicitando informações do ocorrido. Apesar do susto, nenhum dano foi registrado na cidade. Segundo Álvaro de Brito, da Coordenadoria Adjunta da Defesa Civil do Estado em Bauru, a última vez que um tremor foi sentido na cidade foi na década de 80. “Na ocasião, foi o reflexo de um tremor ocorrido na Cordilheira dos Andes”, lembra Brito.
Região já registrou abalos
Bauru nunca foi epicentro de nenhum abalo sísmico. Porém, a região já foi surpreendida com tremores de terra. O último registrado foi na tarde de 27 de julho do ano passado e foi sentido em Bariri (56 quilômetros de Bauru), (41 quilômetros de Bauru) e Itaju (69 quilômetros de Bauru). O tremor registrou 2,5 na Escala Richter.
Na noite de 6 de novembro de 1996, faltavam poucos minutos para as 21h quando os moradores sentiram a terra tremer em Areiópolis, num abalo de 3,3 na escala Richter. Esse foi o tremor mais forte já sentido na região. Segundo especialistas, o fenômeno dessa magnitude produz um efeito semelhante a um caminhão passando na rua. Esse foi o abalo sísmico mais forte já registrado na região O tremor de ontem não foi o primeiro sentido em Bariri. Há 11 anos, a cidade tremeu com um terremoto um pouco mais forte. Foram 2,9 na escala Richter. Em 1991, na cidade de São Pedro do Turvo (99 quilômetros de Bauru), o abalo acontecido em novembro atingiu 3 graus. Outro terremoto na região foi bem leve. Moradores de Itirapina sentiram um tremor de 1,5 na escala Richter em 2005.
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O tremor
De acordo com o Laboratório de Sismologia da Universidade de Brasília (UnB) o tremor foi de 5,2 graus na escala Richter (que vai até 9). O epicentro do terremoto foi a 270 quilômetros da costa, no Oceano Atlântico, na direção de São Vicente (a 400 quilômetros de Bauru). O tremor ocorreu a uma profundidade de aproximadamente 10 quilômetros. Além de São Paulo, o abalo foi sentido em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.
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O que é terremoto
A camada mais superficial da Terra é chamada de litosfera. Ela é dividida em 12 partes menores chamadas placas tectônicas. Essas placas estão em lento e constante movimento, gerando deformação nas massas rochosas que as compõe. Quando o esforço é muito grande, ele supera o limite de resistência da rocha rompendo-a, originando uma falha geológica - e causando um terremoto. Parte da energia que se acumulou durante esse movimento é liberada sob a forma de ondas que fazem o terreno vibrar intensamente.
Quase todos os terremotos acontecem dessa forma. Mas eles também podem ser ocasionados por atividades vulcânicas ou pela própria ação do homem. Nesses casos, são chamados de sismos induzidos e são produzidos por explosões nucleares ou gerados pela criação de grandes reservatórios hidrelétricos.