Washington - Com a vitória por nove pontos percentuais de diferença na Pensilvânia anteontem, a senadora Hillary Clinton acumulou capital político suficiente para colocar seu rival na disputa pela candidatura democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama, na defensiva e viu seu combalido caixa eleitoral voltar a ser irrigado por contribuintes que a haviam abandonado. Ainda assim, não há margem para conforto.
Hillary tenta aproveitar o impulso da vitória num grande Estado para convencer os superdelegados - pesos pesado que votam na convenção partidária sem se ater a resultados de prévias - de que sua candidatura é a mais viável.
Faz isso porque matematicamente suas chances de obter o número de delegados necessários para garantir a candidatura tendem a zero - ela teria de ganhar as sete prévias que faltam. Virar o jogo entre os superdelegados seria uma maneira de garantir sua longevidade e aplacar as pressões para que abandone a corrida em nome da unidade.
Hoje, segundo cálculos da agência de notícias Associated Press, Hillary lidera nesse universo, com 255, ante 232 que declararam voto em Obama e 308 indecisos. Nas horas após as prévias, a senadora anunciou o apoio de mais um superdelegado, e Obama, de dois. Nem todos, no entanto, estão convencidos.
David Plouffe, coordenador da campanha de Obama, faz as contas. “Na noite passada, a senadora usou sua melhor chance de diminuir a vantagem de Barack Obama entre os delegados. Ela não conseguiu. Na verdade, ela mal se fez notar.” Na melhor das hipóteses, calcula o marqueteiro, Hillary ganhou 12 delegados a mais do que Obama. Isso ainda a deixa mais de 150 delegados atrás do senador.
Segundo o comando da campanha de Hillary, nas 24 horas iniciadas com a abertura das urnas na Pensilvânia, a ex-primeira-dama recebeu US$ 10 milhões.