Internacional

Cúpula da Alba discute crise na Bolívia

Folhapress
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Caracas - Uma cúpula de emergência dos países da Alba (Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América) e duras declarações do presidente venezuelano, Hugo Chávez, acirraram ainda mais a crise política entre o presidente Evo Morales e a oposição boliviana, que planeja realizar daqui a dez dias um referendo no departamento de Santa Cruz para obter autonomia do governo federal.

“(Decidimos) nos somar à denúncia internacional contra a tentativa separatista que se forja contra a Bolívia por meio de um suposto referendo convocado em franca violação da Constituição e das leis bolivianas”, diz a nota lida pelo vice-presidente cubano, Carlos Lage, durante a cúpula, realizada pela manhã de ontem no Palácio Miraflores, em Caracas.

A reunião da Alba foi anunciada apenas anteontem à tarde e, além de Chávez, Morales e Lage, contou com o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

Além do apoio à Bolívia, os quatro países aprovaram a criação de um fundo de US$ 100 milhões para combater a alta do preço dos alimentos.

Em sua intervenção, Chávez disse ter advertido o colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de que, “se o império desestabiliza a Bolívia, é um plano contra o Brasil”. Segundo o venezuelano, caso a Bolívia seja desestabilizada, “o mais provável é que o (envio de) gás seja paralisado, e o Brasil entraria em crise. Crise econômica, energética, social e política. E o mesmo poderia acontecer com a Argentina”, disse Chávez, sobre os dois países que importam o combustível boliviano. De acordo com fontes diplomáticas brasileiras, não houve telefonemas recentes entre os dois presidentes - a última conversa ocorreu durante a visita de Chávez a Recife, no fim do mês passado. Chávez comparou ainda a situação da Bolívia à independência de Kosovo e disse que “atrás da máscara da autonomia está o plano separatista para criar um novo Estado”.

Também ontem, o governo venezuelano divulgou abaixo-assinado com cerca 200 nomes da esquerda em apoio a Morales. Participaram o arquiteto Oscar Niemeyer, o líder sem-terra João Pedro Stédile e Frei Betto, entre outros brasileiros.

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